‘Treinar’ pais de criança autista reduz sintomas do transtorno

Pesquisa demonstrou eficácia de método que ensina os pais a estimular o desenvolvimento de bebês com sintomas de autismo

Autismo: Ensinar pais a estimular linguagem, atenção e aprendizado das crianças ajuda a reduzir sintomas

Autismo: Ensinar pais a estimular linguagem, atenção e aprendizado das crianças ajuda a reduzir sintomas (Thinkstock/VEJA)

Em um novo estudo, pesquisadores concluíram que um determinado tratamento, aplicado nos primeiros anos de vida de um bebê com sinais de autismo, pode melhorar seu desenvolvimento e reduzir os sintomas do transtorno durante a infância. A terapia, no entanto, não é direcionada à criança, mas sim aos seus pais, que passam por uma espécie de treinamento para que estimulem a comunicação dos filhos.

CONHEÇA A PESQUISATítulo original: Autism treatment in the first year of life: A pilot study of Infant Start, a parent-implemented intervention for symptomatic infants

Onde foi divulgada: Journal of Autism and Developmental Disorders​

Instituição: Universidade da Califórnia em Davis, Estados Unidos

Resultado: Crianças com autismo cujos pais foram treinados para estimular o desenvolvimento dos filhos apresentaram um melhor desenvolvimento.

O método testado pela pesquisa foi o Infant Start, desenvolvido na Universidade da Califórnia em Davis, Estados Unidos. Nele, pais de bebês com autismo aprendem formas de estimular a comunicação, a atenção, o aprendizado, a linguagem e a interação social dos filhos.

O estudo, publicado nesta terça-feira, contou com a participação de pais de sete crianças de 6 a 15 meses de vida que apresentavam sintomas relacionados ao autismo, como pouco contato visual, repetição de determinados movimentos e baixa disposição para a comunicação. Os pais, junto com os bebês, passaram por doze sessões de treinamento e, depois, foram acompanhados durante seis meses pelos pesquisadores para que continuassem seguindo o método corretamente.

As crianças voltaram a ser avaliadas dois e três anos após o início do estudo. O desenvolvimento delas foi comparado ao de outras com características diversas. Entre elas, crianças com autismo que só receberam tratamento após os três anos de idade e crianças sem o transtorno.

Segundo a pesquisa, seis das sete crianças que participaram do estudo chegaram aos três anos de idade com o desenvolvimento do aprendizado e da linguagem semelhante ao de crianças sem autismo. “A maioria das crianças com autismo nem ao menos recebeu o diagnóstico da doença nessa idade”, diz Sally Rogers, professora de psiquiatria e ciências comportamentais da Universidade da Califórnia em Davis e coordenadora do estudo.

O estudo, portanto, sugere que começar o tratamento de crianças com autismo de forma precoce diminui os problemas de desenvolvimento ao longo da infância. No entanto, como foi feito apenas com sete crianças, as descobertas precisam ser confirmadas por pesquisas maiores. Mesmo assim, a equipe considera que as conclusões foram importantes, pois mostraram uma redução significativa dos sintomas do transtorno nos primeiros anos de vida.

Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/saude/treinar-pais-de-crianca-autista-reduz-sintomas-do-transtorno

 

Novas abordagens no tratamento de autistas

Por Michele Senra

Nos últimos anos novas técnicas e abordagens têm surgido, como ESDM e PRT, por exemplo, para atender a demanda crescente de pessoas afetadas pelo autismo. Cada indivíduo é único e tem suas necessidades muito particulares. A verdade é que não existe uma fórmula mágica, uma cura, que vá atender a toda esta clientela. Mas conhecer as abordagens em geral, pode nos dá a base para nossas práticas.
Particularmente, pra mim não existe o melhor modelo e melhor método, pois cada profissional pode se identificar com uma, assim como cada indivíduo vai receber os estímulos terapêuticos e pedagógica de uma forma muito individual.
Estudar é preciso, e sempre. Não somos donos da verdade. Costumo dizer, que eu não sou professora dos meus alunos, eles é que me ensinam a cada dia a arte de ensinar. Bem, conheça agora algumas novidades para aprofundar seu conhecimento.

PRT – Pivotal response treatment

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O tratamento do PRT é uma das terapias comportamentais mais estudadas e validadas no momento atual nos EUA. O PRT é derivado do ABA. Seus objetivos principais são o desenvolvimento da comunicação, linguagem, melhorar problemas de comportamento e regulação de comportamentos de auto estimulação perturbadores.
Ao invés de direcionar comportamentos individuais, as metas terapêuticas do PRT envolvem áreas “cruciais” do desenvolvimento de uma criança. Incluindo a motivação, a resposta a vários estímulos, a autogestão e o início das interações sociais. A filosofia é que, visando essas áreas críticas, PRT irá produzir grandes melhorias em outras áreas de sociabilidade, comunicação, comportamento e desenvolvimento de habilidades acadêmicas.
Estratégias de motivação são uma parte importante da abordagem PRT. Enfatizam o reforço “natural”. Por exemplo, se uma criança faz uma tentativa significativa para solicitar, por exemplo, um bicho de pelúcia, a recompensa é o bicho de pelúcia – não um doce ou outra recompensa.

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Embora usado principalmente com crianças em idade pré-escolar e alunos do ensino fundamental, estudos mostram que o PRT também pode ajudar os adolescentes e adultos jovens. Na verdade, as pessoas afetadas pelo autismo de todas as idades podem se beneficiar de suas técnicas. Em todos os grupos etários, o aluno desempenha um papel crucial na determinação das atividades e objetos que serão usados em uma troca PRT.
Qual é a História da PRT?
Resposta ao tratamento Pivotal foi desenvolvido na década de 1970 por psicólogos educacionais Robert Koegel, Ph.D., e Lynn Kern Koegel, Ph.D., da Universidade da Califórnia, Santa Barbara.

ESDM – Early Denver Model

O ESDM é um modelo voltado para o público de crianças com TGD, diagnosticados precocemente entre as idades de 12 a 48 meses. ESDM é uma intervenção baseada no relacionamento, e envolve os pais e famílias . O objetivo da ESDM é aumentar as taxas de desenvolvimento em todos os domínios para as crianças com TGD, pois visa simultaneamente diminuir os sintomas de autismo. Esta intervenção visa melhorar os aspectos emocionais, cognitivos e linguagem.
Este modelo usa a Análise do comportamento aplicada como base, mas uma fusão com uma abordagem desenvolvimentista, adicionando elementos mais lúdicos.
Suas características principais, incluem:
• Estratégias analítica comportamental naturalistas aplicadas;
• Conhecimento do desenvolvimento infantil
• Envolvimento dos pais
• Trocas interpessoais e afeto
• Compromisso compartilhado com atividades conjuntas
• Linguagem e comunicação ensinadas dentro de uma relação positiva com base no afeto.

Nosso próximo evento:

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Workshop Autismo em Volta Redonda

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Como ensinar crianças a cantar

Como já diz o velho ditado, “quem canta os males espanta”. A música está presente em todas as culturas e civilizações. Eu AMO cantar, e canto desde que me conheço por gente. Com cinco anos já subia no palco para cantar e conseguia dividir vozes com esta idade, acredite. Meu filho, Breno, também adora cantar e é bem afinado. Lindo, meu orgulho,rsrsrs.

Segue abaixo algumas dicas para o ensino de canto para os pequeninos:

cantar11. Comece cada lição com pequenos alongamentos e exercícios de postura. Não apenas isto é importante para ensinar a criança a cantar com boa postura, mas também a ensinará como participar da aula de canto, realizando tarefas simples para que possam ter sucesso. As crianças são cinestésicas e adoram realizar atividades físicas.

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2. Trabalhe numa técnica de respiração simples: ao inspirar, a barriga deve formar uma saliência. Ao expirar, ela deve se contrair. Os ombros e o peito não devem subir nem cair. Você pode trabalhar nisto com eles de pé, ou deitados, com um livro na barriga. Então, pratique assobios, zumbidos, sussurros e então, o canto “Ah”, preparando-os com uma inspiração profunda e os suportando com a barriga. Foque para que eles façam sons uniformes mesmo ao exalar, que não arranhem ou parem bruscamente.

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3. Introduza os registros. Treine longas “sirenes” glissando, aumentando até o registro superior (também chamado de falsete) para notas altas, ao invés de sobrecarregar a voz. A voz alta deles provavelmente será fraca de início, mas insista no uso dela, e como passar do tempo, ela ficará mais forte e desenvolvida. As crianças devem aprender a reconhecer a sensação de vibração dentro de suas bocas e no peito para notas baixas, e em suas cabeças para notas altas.

4.Comece o treinamento do ouvido. Ensine-os a igualarem o tom e depois a cantarem os passos mais altos e mais baixos. Comece fazendo com que cantem “ah” e que combinem seu tom com o do piano. Depois, explore alguns passos para cima e para baixo. Já que muitas crianças não entendem imediatamente o conceito de aumentar e diminuir o tom, você poderá demonstrar a elas subindo e descendo sua mão. Seja paciente se elas não entenderem de imediato, pois em breve, elas irão.

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5. Ensine as escalas. Comece a praticar 3 a 5 notas maiores, utilizando as sílabas de solfejo: Do Re Mi Fa Sol. Transponha a nota inicial para cima e para baixo com “meio-passo” de cada vez, até que consigam segurar o tom. Ao progredirem, tente a escala completa (Do Re Mi Fa Sol La Si Do).

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6. Ensine os intervalos. Comece a trabalhar nos intervalos maiores/perfeitos, começando com segundos e progredindo às oitavas. Sempre use as sílabas de solfejo.

7. Comece a trabalhar as vogais. Certifique-se que a criança cante cada vogal com o formato apropriado da boca. Veja se elas abrem suficientemente a boca para o “Ah” e o “Oh” e de forma redonda para o “Oh” e “Oo”.

8. Trabalhe num tom focado de garganta aberta. Dê as instruções para que as crianças “cantem enquanto bocejam”, mas com a língua plana atrás dos dentes inferiores. Trabalhe no tom e peça para que foquem na vibração do palato. Isso é especialmente eficaz quando fizer com que eles sussurrem e depois pedindo para que maximizem a vibração no palato. Tons do registro superior irão vibrar o palato, a cabeça e até acima dela quando forem altas o suficiente.

9. Comecem a aprender canções. Treine a leitura cantando em solfejo, primeiramente, enquanto observam o contorno das notas. Comece a ensinar a leitura para as crianças dessa maneira. Depois, faça com que segurem os sons vogais no comprimento das notas (ao invés de soltarem rapidamente, como numa conversa) e a cantar com vogais puras.

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10. Dê oportunidades de performance. Aprender a se apresentar é uma das experiências indispensáveis ao treinar a voz das crianças. Promova performances informais, fazendo com que a criança cante um música inteira, de frente para você. Encoraje os estudantes a cantar para seus pais e amigos, se estiverem confortáveis e dispostas a isto. Por fim, promova um recital a cada 6 meses aproximadamente, para que as crianças preparem 1-3 músicas para se apresentarem para os familiares e outros estudantes.

Dicas

  • Lembre-se que as crianças, especialmente as mais jovens, aprendem mais pela prática do que pela teoria. Um bom modelo para seguir ao ensinar algo novo a eles é demonstrando, e depois mostrando como se deve fazer isto (em pequenos passos, se for mais complicado), e então permitindo que elas tentem até acertarem, fazendo com que repitam quantas vezes elas quiserem. Quando elas cansarem, passe para outra lição e retorne para uma nova atividade um pouco depois. Lembre-se, as crianças aprendem pela repetição, portanto, dê oportunidades para que elas pratiquem estas novas habilidades!
  • As crianças irão aprender músicas muito mais rápido e vão se divertir se gestos forem adicionados com as palavras da música. Lembre-se, elas são muito cinestésicas e adoram se mexer!
  • Não é necessário ser rigoroso com as crianças. Se fizer isto, elas não vão prestar atenção às lições.
  • As aulas de canto devem ser divertidas, para que o estudante tenha sucesso. Talvez exceto pelas primeiras aulas, sempre passe um terço da aula cantando músicas divertidas, que as crianças gostam. Volte constantemente às músicas antigas, pois você dará a oportunidade para que elas mostrem suas habilidades.
  • As crianças não possuem períodos de atenção muito grande. Faça atividades divertidas e curtas, com boas transições para a próxima, mantendo-as interessadas. As crianças são criaturinhas divertidas e felizes, que são atraídas por pessoas e atividades também divertidas. Abundância de entusiasmo também é eficaz.

Avisos

  • Desde que um professor possua expectativas realistas para a voz da criança, existe pouco perigo em causar danos a ela. As vozes das crianças nunca devem ser comparadas com a dos adultos. Elas não conseguem cantar tão alto, por tanto tempo ou com o alcance de adultos ou até adolescentes. De fato, as aulas de canto para uma criança que adora cantar irá proteger sua voz, ensinando a ela como (e o que) cantar para não danificá-la. A coisa mais perigosa que uma criança pode fazer é levar as notas altas ao extremo, no peito ou na voz. Por volta de “C” ou “meio C” (pode ser mais baixo em crianças mais velhas), elas deverão mudar para uma voz mais macia, na cabeça. Esta voz será, de início, mais quieta e pela respiração, mas a persistência fará com que ela se fortifique, focando numa voz mais forte. Não existe nenhum perigo em explorar as notas altas de uma criança (e elas podem dar gritos agudos bem altos!) se usarem os registros da maneira certa. Se a voz da criança ficar rouca, faça com que PAREM DE CANTAR pelo dia, para que descansem a voz.

Materiais Necessários

  • Livro com lições de canto e exercícios para treino do ouvido e da técnica.
  • Livro com canções infantis.
  • Livro para praticar a entonação.

 

Referência

http://pt.wikihow.com/Ensinar-Crian%C3%A7as-a-Cantar

Encontro DIR/Floortime

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Crianças que têm aulas de música ampliam funções cognitivas para sempre

Estudo mostra de que forma as lições com instrumentos moldam cérebro dos mais jovens

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Jovem da Favela da Maré, no Rio, toca violino: música amplia funções cognitivas<br />
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<figcaption>Jovem da Favela da Maré, no Rio, toca violino: música amplia funções cognitivas – <b>Laura Marques</b></figcaption></figure>
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RIO – Uma das características típicas dos seres humanos — dentre aquelas que nos diferenciam dos demais animais — é a nossa capacidade praticamente única na natureza de criar, tocar e apreciar música. Dos esquimós, no Ártico, passando por habitantes dos desertos africanos, até tribos indígenas no meio da floresta Amazônica, homens são capazes de compor, tocar, cantar e dançar (bem, quase todos, pelo menos). Mas, como costuma dizer o neurocientista Oliver Sacks (autor de “Alucinações musicais”), a música não é apenas uma forma pela qual nos conectamos e criamos laços. Ela, literalmente, molda os nossos cérebros. Um novo estudo divulgado ontem não só reforça a máxima de Sacks como constata que a música é também capaz de aprimorar as nossas funções cognitivas.

De acordo com o novo trabalho, crianças que recebem aulas de música regularmente ampliam suas capacidades cerebrais pelo resto de sua vida adulta. A pesquisa publicada na “PLOS One” mostrou que crianças que recebem aulas particulares de música por pelo menos dois anos revelam maior atividade cerebral nas áreas associadas às suas funções executivas — ou seja, os processos cognitivos que permitem aos seres humanos processar e reter informações, resolver problemas e regular comportamentos.

— Como o funcionamento executivo do cérebro é um forte indicador das conquistas acadêmicas que as pessoas podem vir a ter (mais ainda que o tradicional QI), acreditamos que nossas descobertas têm implicações educacionais importantes — afirmou a principal autora do estudo, Nadine Gaab, do Laboratório de Neurociência Cognitiva do Hospital Infantil de Boston (EUA). — Enquanto muitas escolas estão cortando os programas de música e gastando mais tempo e dinheiro em testes preparatórios, nossas descobertas sugerem que o aprendizado musical pode, de fato, ajudar as crianças a alcançarem metas acadêmicas mais ambiciosas.

Atividade cerebral cresce

O novo estudo comparou 15 crianças de 9 a 12 anos que tinham aula de música a um grupo de 12, da mesma idade, sem nenhum treinamento. Além disso, foram estudados dois grupos de adultos, divididos entre músicos e não músicos. Os pesquisadores observaram diversos fatores demográficos, como educação, status profissional e QI e descobriram que as funções cognitivas (medidas por uma bateria de testes) e a atividade cerebral (registrada por meio de imagens de ressonância magnética funcional) eram melhores tanto em adultos quanto em crianças que tocavam algum instrumento.

— O estudo dos efeitos da música no cérebro já tem mais de dez anos, mas poucos grupos se dedicam a ele — constata o neurocientista Jorge Moll, do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino, no Rio de Janeiro. — É difícil saber por que os padrões sonoros são tão engajantes, já que não dependemos da música para sobreviver. Mas há várias evidências de que a música modula fortemente o aprendizado, estimulando a capacidade cognitiva e a relação interpessoal. A percepção de um ritmo influencia o sistema de atenção, induz ao movimento e otimiza o metabolismo e a performance física.

A explicação, segundo Oliver Sacks, um dos maiores especialistas mundiais no tema, está no fato de a música ser uma linguagem tão poderosa quanto a da comunicação verbal: “A atividade musical envolve várias funções do cérebro (emocional, motora e cognitiva), muito mais do que as que usamos para o outro grande feito humano, a linguagem. Por isso, a música é uma forma tão eficaz de nos lembrarmos e de aprender. Não é por acaso que ensinamos às crianças pequenas com rimas e músicas.”

A mesma percepção tem a professora e doutora em Educação Andrea Ramal, autora de diversos livros sobre aprendizado.

— Aulas de música ajudam no aprendizado da criança ao longo da vida por diversas razões. Tanto assim que a música se tornou disciplina obrigatória nas escolas — constatou Andrea. — Além disso, a participação num conjunto musical desenvolve a disciplina na criança, a capacidade de trabalhar em grupo e outras competências que serão necessárias até no mercado de trabalho. Também trabalha habilidades motoras e aumenta a concentração, que é essencial para o aprendizado.

Mais música, menos erros

O novo trabalho vem se somar a um grupo cada vez maior de estudos que revelam a importante relação entre música e cérebro. Uma pesquisa divulgada em novembro do ano passado, por exemplo, revelara que os adultos que tocaram instrumentos quando eram crianças (mas não tocavam há décadas) tinha respostas cerebrais mais ágeis. Outro estudo, de setembro de 2013, mostrou que indivíduos que sabiam tocar um instrumento também eram capazes de detectar erros de forma mais rápida e acurada do que os não músicos.

Um dos mais importantes trabalhos sobre o tema foi publicado também na “PLoS ONE”, em fevereiro de 2008. Nele, cientistas da Johns Hopkins revelaram que, quando músicos de jazz tocam de improviso (uma característica frequente desse tipo de música), seus cérebros “desligam” áreas ligadas à autocensura e à inibição e ativam aquelas que deixam fluir a autoexpressão. Ou seja, ao desligarem a inibição, eles davam espaço à criatividade e acabavam conseguindo tocar uma música inédita.

Por todas essas características, especialistas acreditam que a música possa servir também como mecanismo terapêutico. Como cita o próprio Oliver Sacks, “a música penetra tão profundamente em nosso sistema nervoso que, mesmo em pessoas que sofrem de devastadoras doenças neurológicas, ela é, comumente, a última coisa que perdem.”

— Nossos resultados têm implicações também para crianças e adultos que lutam com problemas nessas funções do cérebro, como hiperatividade ou demência — afirmou Nadine. — Novos estudos determinarão se a música pode ser usada como ferramenta de intervenção terapêutica.

Fonte: http://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/criancas-que-tem-aulas-de-musica-ampliam-funcoes-cognitivas-para-sempre-12921667#ixzz35bo7vuCt

Formação musical precoce aumenta desenvolvimento cerebral

Estudo publicado no “Journal of Neuroscience”

A aprendizagem de um instrumento musical antes dos sete anos de idade aumenta significativamente o desenvolvimento cerebral revela um estudo publicado “Journal of Neuroscience”.
O estudo conduzido pelos investigadores da Concordia University, nos EUA, demonstrou que a aprendizagem de um instrumento, durante os seis e os sete anos de idade, tem efeitos benéficos no desenvolvimento do cérebro e produz alterações duradouras nas capacidades motoras e na estrutura cerebral. “ A aprendizagem de um instrumento requer a coordenação das mãos e de um estímulo visual ou aditivo. A prática de um instrumento antes dos sete anos aumenta, provavelmente, a normal maturação das ligações entre regiões motoras e sensoriais do cérebro”, revelou, em comunicado de imprensa, a líder do estudo, Virginia Penhune.
De forma a chegar a estas conclusões, os investigadores submeteram 36 músicos a uma tarefa de movimento tendo posteriormente realizado ressonâncias magnéticas aos seus cérebros. Metade dos participantes tinham iniciado a sua formação musical antes do sete anos, enquanto a outra metade começou mais tarde. No entanto, todos os participantes tinham os mesmos anos de experiência. Estes dois grupos de músicos foram também comparados com indivíduos que tinham tido pouca ou nenhuma formação musical.
Quando os investigadores compararam as capacidades motoras dos dois grupos de participantes verificaram que os músicos que começaram a aprender mais cedo eram mais precisos. Relativamente à estrutura do cérebro, o estudo apurou que os músicos que começaram a ter formação musical precoce apresentavam um aumento numa zona específica da substância branca que é constituída por fibras nervosas que ligam as regiões motoras esquerda e direita do cérebro. Quanto mais cedo a formação musical era iniciada maior era a ligação entre as duas regiões.
As ressonâncias magnéticas mostraram que não havia diferenças entre os indivíduos que não tinham aprendido música e os que tinham iniciado a sua formação numa idade mais tardia. Estes resultados sugerem que o desenvolvimento cerebral ocorre precocemente ou então não ocorre de todo.
“Este estudo é importante na medida em que demonstra que a aprendizagem de um instrumento musical é mais eficaz em idades precoces, porque existem determinados aspetos da anatomia do cérebro que são mais sensíveis a alterações nestas idades”, explicou, o coautor do estudo, Robert J. Zatorre.
“Verificámos que os músicos que iniciam a formação precocemente apresentam algumas capacidades específicas e alterações no cérebro. Contudo, isto não faz deles, necessariamente, melhores músicos. O desempenho musical é uma capacidade, mas também envolve comunicação, entusiasmo, estilo e outras tantas coisas que não se medem. Assim, iniciar a aprendizagem musical precocemente pode ajudar à genialidade de um músico, mas não faz dele um génio”, conclui a investigadora.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Fonte: http://www.alert-online.com/br/news/health-portal/formacao-musical-precoce-aumenta-desenvolvimento-cerebral

Dicas para pais: musicalizando crianças transtornos

Escrito por:  Michele Senra

Olá, este post traz algumas dicas para mamães e papais interagirem com seus filhos através da música. As atividades podem ser aplicadas com crianças típicas também. Estimulação musical é importante para o desenvolvimento humano em geral. A música pode ajudar seus filhos de diversas formas:

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  • Regulação emocional (lembre-se, a música  é percebida pelo tálamo, responsável pelas emoções, sensações e sentimentos)
  • Pensar e sequenciar eventos
  • Compreender e utilizar linguagem (ex: quando você canta: “palma, palma, palma, pé, pé, pé….”. você usa a ação junto com a canção, o que ajuda a criança ter uma melhor compreensão da palavra que está sendo entoada).
  • Desenvolvimento motor
  • Desenvolver a auto-estima
  • Interagir socialmente

Use música no ambiente:

  • Coloque uma música durante o jantar com sua família para ajudar o sistema digestivo do seu filho, porque o nervo auditivo termina na língua.
  • Selecione músicas para criar rotinas durante o dia, pois pode ajudar seu filho a participar de atividades voluntariamente quando ouvi-las. Por exemplo: em escolas é muito comum o uso de músicas para formar filas, lanche, etc. Músicas são mais facilmente gravadas no cérebro, e portanto muito mais fácil de decorar certas regras. Muitos cursinhos preparatórios passaram a adotar a prática de música para memorização de lições.
  • Músicas calmas e tranquilas para momentos de relaxamento podem ajudar seu filho a se regular, e ajuda no bom sono.

Música para ensinar novas habilidades

  • Você pode usar música para ensinar habilidade de sequenciamento.
  • As canções ensinam a criança a aprender as categorias de linguagem. EX: a canção “O velho Mc Donalds”. Outra dica é usar um suporte visual seja figuras dos animais, ou fantoches, ou bichinhos de vinil.

Música e movimento

  • Use músicas com movimento para ajudar seu filho a melhorar a atenção, habilidades motoras e engajamento.Ex: Serra, serra, serrador… (Folclore popular)Ex: O Poc poc da pipoca pipocando (CD Conversa de Bicho)

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Até breve com mais dicas. Espero que gostem!

 

A fala de pessoas com autismo pode ser estimulada pelo sistema vestibular e ritmo musical

Achei um artigo, da famosa autista Temple Grandin, onde ela fala sobre questões sensoriais que a afetam, e como atividades de balanço e ritmo podem contribuir para a aquisição de linguagem de crianças com autismo.

Confira alguns trechos, para acessar o texto completo é só baixar o arquivo no final da postagem.

 UMA VISÃO INTERIOR DO AUTISMO

              INTRODUÇÃO

Eu tenho 44 anos de idade e sou uma mulher autista com uma carreira internacional bem sucedida. Meu trabalho é projetar equipamento para animais (especialmente gado) de fazendas. Completei meu Ph.D em ciências animais na Universidade Estadual do Colorado. Foi a intervenção precoce iniciada aos 2 anos e meio de idade que me ajudou a superar minha deficiência.

Neste capítulo falarei sobre a frustração que senti por não ser capaz de falar e sobre meus problemas sensoriais. Meus sentidos são super sensíveis ao barulho e ao toque. O barulho, especialmente quando é bem alto, dói meus ouvidos, e eu evito ser tocada para não ter que sentir aquela sensação opressiva.

Eu construí uma máquina de compressão que ajudou muito a acalmar meus nervos e a tolerar mais o toque. Na época da puberdade, comecei a ter horríveis ataques de nervos e de ansiedade. Eles foram ficando piores com o passar do tempo. Medicamentos antidepressivos aliviavam a ansiedade. Na última parte do capítulo abordo como direcionei minhas fixações em atividades construtivas e a uma carreira. A importância de um mentor é fundamental. Minhas habilidades e deficiências serão cobertas em detalhes nesta reportagem. Todo o meu pensamento é visual, como se fossem fitas de vídeos passando na minha imaginação. Até mesmo conceitos mais abstratos como “se dar bem com outras pessoas” são visualizados através do uso da imagem de uma porta.

A FALTA DA FALA

Não ser capaz de falar era uma completa frustração. Se os adultos falassem diretamente comigo eu podia entender tudo o que eles me falavam, mas eu não conseguia colocar as palavras para fora. Era como se fosse um balbucio ou uma grande gagueira. Se eu era colocada numa situação de leve “stress”, as palavras às vezes superavam a barreira e conseguiam sair. Minha fonoaudióloga sabia como penetrar no meu mundo. Ela me segurava pelo queixo, me fazia olhar em seus olhos e dizer “bola”.

Aos 3 anos de idade, “bola” saiu de minha garganta com grande esforço e soava mais como “bah”. Se a terapeuta decidisse exigir muito de mim, eu fazia manha e pirraça. Se ela não exigisse de mim o suficiente, eu não fazia nenhum progresso. Minha mãe e meus professores ficavam imaginando porque eu gritava tanto. Os gritos eram a única maneira que eu tinha para me comunicar. Às vezes eu pensava logicamente comigo mesma, “eu vou gritar agora porque eu quero falar para alguém que não quero fazer determinada coisa”.

É interessante que a minha fala se pareça com a fala estressada de crianças pequenas que tiveram tumores removidos do cerebelo. Rekate, Grubb, Aram, Hahn e Ratcheson (1985) descobriram que cirurgias de câncer que tenham lesado “vermis, nuclei e os dois hemisférios do cerebelo” causaram uma perda temporária da fala em crianças normais.

Os sons das vogais eram os primeiros a retornar, e a fala receptiva era normal. Courchesne, Yeung-Courchesne, Press, Hesselink e Jernigan (1988) deram a reportagem que de cada 18 autistas que funcionam num nível de alto a moderado, 14 deles têm o cerebelo menor (cerebellar vermal lobules VI e VII). Bauman e Kemper (1985) e Ritvo et al (1986) também descobriram que os cérebros de autistas tinham um número menor de células “Purkinje” no cerebelo. No meu caso, um exame de Ressonância Magnética revelou anormalidades no cerebelo. Eu sou incapaz de andar em linha reta. O teste feito pela polícia para descobrir se o motorista está bêbado, tipo “ande na linha”, não funciona comigo, eu acabo tombando para os lados. Porém minhas reações são normais para outros testes de coordenação motora simples relacionados às funções ou disfunções do cerebelo.

Estímulos vestibulares algumas vezes podem estimular a fala em crianças autistas. Balançar a criança levemente num balanço às vezes ajuda a iniciar a fala (Ray, King & Grandin, 1988). Determinados movimentos suaves, coordenados são difíceis para mim, embora eu pareça bem normal para o observador casual.

Por exemplo, quando eu opero equipamentos hidráulicos que tenham uma série de níveis, eu consigo operar perfeitamente um nível de cada vez. Coordenar os movimentos para operar dois ou três níveis ao mesmo tempo é impossível para mim. Talvez isso explique porque eu tenho tanta dificuldade em aprender a tocar um instrumento musical, embora eu tenha um talento musical nato para melodia e tonalidade. O único “instrumento” que eu consegui aprender é assoviar com minha boca.

RITMO E MÚSICA

Durante meus anos escolares primários, a minha fala não era completamente normal. Geralmente eu gastava mais tempo do que as outras crianças para conseguir colocar minhas idéias para fora. Cantar, porém, era bem fácil. Eu sou afinada e consigo, sem nenhum esforço, sussurrar uma música que ouvi apenas uma ou duas vezes.

Eu ainda tenho muitos problemas com o ritmo. Consigo bater palmas num determinado ritmo sozinha, mas sou incapaz de sincronizar o meu ritmo com o ritmo de outra pessoa. Park e Youderian (1974) notaram uma falta de ritmo em pessoas autistas tocando piano. Os problemas de ritmo podem estar relacionados com alguns problemas de fala. Os bebês normais se movem em sincronia com a fala dos adultos (Condon & Sander, 1974). Os autistas não conseguem isso. Condon (1985) também descobriu que os autistas têm grande dificuldade em se orientar. Os que têm dislexia e os gagos também têm essa dificuldade só que em grau bem menor. Um ouvido ouve o som primeiro do que o outro. O assincronismo entre dois ouvidos chega a ser de mais de um segundo. Isso pode explicar alguns problemas de fala. As pessoas ainda me acusam de interromper conversas. Devido a uma falta de percepção de ritmo, é difícil para mim saber quando entrar na conversação. Não consigo seguir facilmente os altos e baixos do fluxo de uma conversa.

PROBLEMAS AUDITIVOS

Minha audição funciona como se eu usasse um aparelho auditivo cujo controle de volume só funciona no “super alto”. É como se fosse um microfone ligado que capta todo barulho ao redor. Eu tenho duas escolhas: deixar o microfone ligado e ser inundada pelo barulho, ou desligar. Minha mãe conta que algumas vezes eu agia como fosse surda. Testes e exames mostravam que minha audição era normal. Eu não consigo moderar os estímulos auditivos que entram por meus ouvidos. Muitos autistas têm problemas como este (Ornitz, 1985). Em geral eles têm reações exageradas ou mínimas. Ornitz (1985) sugere que algumas das deficiências cognitivas podem ser causadas por distorções sensoriais. O autismo também traz profundas anormalidades nos mecanismos neurológicos que controlam a capacidade da pessoa de mudar o foco de atenção em meio a diferentes estímulos (Courchesne, 1980).

Eu não sou capaz de falar ao telefone dentro de um escritório barulhento ou aeroporto. Todo mundo consegue falar ao telefone num ambiente barulhento, mas eu não. Se eu tento apagar de minha mente o barulho que está num pano de fundo, eu acabo apagando também a conversa do telefone. Uma amiga minha, com pouco comprometimento autístico, tem um problema semelhante ao meu, só que pior. Ela não consegue ouvir uma conversa numa sala relativamente quieta de um hotel.

Os autistas devem ser protegidos dos barulhos que os incomodam. Barulhos altos e bruscos doem meus ouvidos como se fosse a broca de um dentista pegando um nervo. Um homem autista de Portugal muito dotado escreveu: “Eu saltava de dentro de mim quando ouvia barulho de animais” (White & White, 1987).

A criança autista cobre seus ouvidos porque certos sons doem. O barulho freqüentemente faz meu coração disparar. Anormalidades no cerebelo podem ter um importante papel em aumentar a sensibilidade aos sons. Pesquisas em ratos indicam que o “vermis” do cerebelo modula a entrada sensorial (Crispin & Bullock, 1984). Estímulos no cerebelo de um gato com um eletrodo tornarão o gato supersensível à sons e toques (Chambers, 1947).

Eu continuo detestando lugares confusos e barulhentos, tais como os Shopping Centers. Barulho contínuo e estridente como o do secador de cabelo ou ventilador de banheiro é irritante. Eu consigo fechar a minha audição e me ausentar da maior parte dos diferentes tipos de barulhos. Porém algumas freqüências são impossíveis de serem desconsideradas. É simplesmente impossível que uma criança autista se concentre em sala de aula se ela estiver sendo bombardeada com barulho que penetra sua mente como se fosse o motor de um avião. Quando eu era criança, a governanta da minha família costumava me punir enchendo uma sacola de papel de ar e estourando essa sacola em meus ouvidos. Para mim era uma tortura.

Mesmo agora eu ainda tenho problemas em “me desligar”. Às vezes eu estou ouvindo uma música que gosto e de repente percebo que perdi a metade da música. Minha audição simplesmente se fecha automaticamente. Na faculdade eu tinha que ficar tomando notas o tempo todo para evitar que isso acontecesse.

O homem de Portugal que eu citei também escreveu que manter uma conversa é muito difícil. A voz da outra pessoa ficava longe como se fosse uma estação de rádio distante (White & White, 1987).

SINTOMAS DE DEPRIVAÇÕES SENSORIAIS

Animais colocados num ambiente que restringe de forma severa os estímulos sensoriais, desenvolvem muitos dos sintomas autísticos, tais como um comportamento estereotipado, hiperatividade e auto-estimulação (Grandin, 1984). Porque um autista e um leão preso numa jaula de concreto de um zoológico têm algumas características semelhantes? Por experiência própria eu gostaria de sugerir uma possível resposta. Como já disse, sempre tive uma sensibilidade extrema aos estímulo auditórios e de tato. Eu provavelmente criei um mundo à parte para me proteger dos estímulos que eu não conseguia lidar. A minha mãe me diz que, quando eu era bebê, eu evitava as pessoas e me endurecia toda. Desta forma, eu era aversiva ao contato com as pessoas e não recebia os estímulos do tato que eu tanto precisava nesta época da minha vida. Os estudos em animais mostram que restringir os estímulos sensoriais em filhotes e ratos afeta o desenvolvimento normal do cérebro.

Os filhotes criados em canis de concreto sem contato com a natureza tendem a ser hiperexcitáveis, e as ondas elétricas de seus cérebros contêm sinais de excitamento nervoso até seis meses depois de serem removidos do canil (Melzack & Burns, 1965). Crianças autistas, às vezes, têm as ondas (EEG) de seus cérebros dessincronizados, o que indica agitação(Hutt, Lee & Ounstead, 1965). Se cortamos fora os bigodes de um filhotinho de rato, a parte do cérebro que recebe estímulos através do bigode fica super sensível (Simons & Land, 1987). A anormalidade aqui fica mais ou menos permanente, já que esta área do cérebro continua anormal mesmo depois que os bigodes crescem de volta. Alguns autistas também têm um metabolismo cerebral hiperativo (Rumsey *et al*, 1985).

Eu às vezes me pergunto, se tivesse recebido mais estímulos de tato quando pequena será que eu seria menos “hiper” como adulta? Esses estímulos são muito importantes para os bebês e ajuda no desenvolvimento (Casler, 1965). Terapeutas têm percebido que crianças que evitam estímulos agradáveis ao tato podem aprender a gostar desses estímulos se tiverem sua pele trabalhada e gradualmente acostumada com diferentes toques. Pode esfregar a pele com tecidos e texturas diversas. Também pode pressionar a pele da criança fazendo uma massagem agradável.

Eu nasci com problemas sensoriais devido a anormalidades no cerebelo, mas talvez uma segunda lesão neurológica tenha sido causada por falta de estímulos de tato apropriados, por eu evitar, quando bebê, o toque das pessoas. Autópsias em 5 cérebros de autistas mostraram que anormalidades no cerebelo ocorreram durante o desenvolvimento fetal, muitas áreas do sistema límbico eram imaturas e anormais (Bauman, 1989). O sistema límbico não amadurece completamente até 2 anos após o nascimento. No meu livro, eu descrevo algumas fixações estúpidas de “banheiro” que me colocaram em situações difíceis. Uma pesquisa interessante de McCray (1978) mostra a ligação entre a falta de estímulos de toque e o hábito excessivo da masturbação. A masturbação cessou quando as crianças receberam mais afeição e abraços. Talvez comigo essas fixações de “banheiro” nunca houvessem acontecido se eu tivesse tido a capacidade de gostar de abraços e demonstrações de afeto quando eu era pequena. Ultimamente tem havido muita publicidade sobre a terapia de segurar ou abraçar fortemente a criança. Nessa terapia, a criança autista é abraçada até que ela pare de resistir. Se isso houvesse sido feito comigo eu teria achado terrivelmente desagradável e estressante. Muitos pais têm dito que usar essa terapia de forma mais gentil é bem efetiva e ajudou a melhorar o contato de olhos, a fala e a sociabilização da criança. “Powers e Thorworth” (1985) dão reportagem de resultados semelhantes. Talvez fosse bom que bebês autistas fossem gentilmente acariciados quando tentam resistir ao toque. A minha reação era a e um animal selvagem. A princípio o toque era intolerável e depois se tornava agradável. A minha opinião é de que essa aversão seja quebrada gradualmente, como se estivesse domando um animal. Se o bebê aprender a gostar do contato físico, outros problemas de comportamento poderão, no futuro, ser minimizados.

PARA LER NA ÍNTEGRA, CLIQUE ABAIXO:

Texto temple grandin

 

 

FONTE:

 Tradução feita por Jussara Cunha de Mello – Belo Horizonte a pedido da Associação de Pais de Portadores de Autismo e outras Síndromes – APPAS.

Obtida da INTERNET- ftp://ftp.syr.edu/information/autism/an inside_view_of_autism_txt

Temple Grandin

Department of Animal Science, Colorado State University

Fort Collins, Colorado 80523

High-Functioning Individuals With Autism, edited by Eric Schopler and Gary B. Mesibov

Plenum Press, New York, 1992

 

Comunicação dinâmica social

A comunicação exige reações subjetivas, não se pode esperar por perfeição, por seguir scripts, temos que ser capazes de suportar quando acontece uma perda na conexão e ter a capacidade de re-conectar.

comunicação instrumental é baseada na busca de algo, um objeto, recusa dele, uma informação. Ela é limitada num objetivo concreto. Uma mensagem sai do ponto A (emissor) vai para o ponto B (receptor), então o ponto B (agora emissor) retorna para o ponto A (agora no papel de receptor), esse seria o ciclo da comunicação instrumental.

comunicação dinâmica é um produto do que nós estamos pensando e sentindo em relação ao que nosso(s) parceiro(s)  pensam e sentem construindo “pontes” temporárias.

Comunicação é :
A reflexão de pensamentos e sentimentos;
Um compartilhamento de mentes e pensamentos;
Broadband, acontece em múltiplos canais (verbal, não verbal – expressões faciais, barulhos,
entonação, gestos e posição corporal)
Dinâmica
Regulatória
Frágil, acontecem quebras que precisam de reparo.

A comunicação dinâmica requer um entendimento e processamento de vários canais de
comunicação ao mesmo tempo para deocodificar uma única mensagem.

Existem 7 estágios no desenvolvimento típico da comunicação


Corpos em ação
 – é quando movemos nossos corpos coordenados com outra pessoa, como no caminhar lado a lado, posicionar nossos corpos de maneira que mantenham a comunicação fluindo

Expressão facial 
- ajustamos nossa expressão facial e olhar conforme a conversa, conforme as indéias vão sendo montadas e transmitidas.

Gestos -  levantar os ombros, apontar, mexer a cabeca, etc

Tom de voz e vozes
 – entonação, sons que fazemos para complementar as palavras (Ah! Oh! Mmm)

Palavras – comunicação verbal

Postura
 – posição corporal, proximidade, toque

Contexto – o sentido da informação depende do contexto


O grande obstáculo em muitas pessoas com autismo não é a falta de palavras verbais mas a falta de desejo em se comunicar.

Mesmo que a pessoa com autismo tenha esse impulso de comunicação mais intacto, muitas vezes o contato e processamento das próprias emoções é difícil e elas passam grande parte do tempo esquivando-se de entrar em contato com elas ou com muita dificuldade de entendê-las e controlá-las, por essa razão a comunicação dinâmica é impactada pois ela acontece através da troca de idéias que necessariamente são de cunho emocional.

Outras dificuldades e o entendimento do ritmo, a coordenacao com a comunicacao com parceiros, uso de enfase, concertar quando ha uma quebra na comunicacao, regular os turnos na comunicacao, criar espaco para q os parceiros tambem possam se comunicar. (este ultimo e relativo aos Aspergers quando tem a fixacao por um assunto e falam sem parar).

Atraves do RDI, acredita-se que a comunicação é uma dança, enquanto A esta enviando a mensagem B já está dando respostas através da expressão facial, gestos, movimentos da cabeça, postura, etc. Não é uma relação ponto A faz, ponto B responde e sim uma ação simultanea de A e B.

Quando você explica uma coisa ao vivo para alguém você está constantemente monitorando a sua fala através das respostas não verbais que você está recebendo do seu parceiro, estas respostas fazem com que vocêc ajuste o ritmo, repita alguma palavra, explique novamente em outras palavras ou encerre o assunto (se o seu parceiro parecer profundamente entediado), você às vezes até ajusta a sua opinião dependendo desta resposta não verbal.

Isto acontece em qualquer conversa, mesmo sem ver a pessoa e só com a voz, por exemplo ao telefone, você vai monitorando a sua conversa através dos ah!, mmm, humhum que a pessoa vai emitndo no decorrer da sua fala.

Comunicação Guiada

O q fazer:
Comunique o que vocês estão fazendo juntos.
Comunique numa maneira de convite para compartilhar a experiência. (esta é outra
crítica ao ABA, o RDI acredita que a comunicação no ABA é baseada em perguntas e
respostas e no RDI ela deve ser de modo descritivo para promover um momento agradável
de compartilhamento)
Fale devagar.
Use menos palavras possíveis. (o uso limitado de palavras é para ajudar a pessoa com
autismo a canalizar o foco, menos palavras, menos distração).
Tenha certeza que o pensamento vem antes da fala, de tempo para a pessoa com autismo se
manifestar.
Enfatize a qualidade do que é falado (comentários, compartilhamento de emções) ao invés
da quantidade falada (quantas palavras usa em uma frase, etc)
Construa um “sistema de comunicação” com seu filho de uma maneira que englobe vários
canais de comunicação. (abuse de expressões faciais que complementam a mensagem verbal, gestos, posicionamento corporal – você pode posicionar a pessoa de uma maneira que
ela fique mais próxima do foco que você quer a atenção, ou posicione seu corpo de maneira que
bloqueie outras distrações ou impessa que a pessoa tenha uma “rota de fuga”.
Entenda e ajude a criança a entender que na comunicação existem “cortes” e por isso ao se
comunicar com alguém é necessário constante monitoramento, manutenção e reparos.

Solucionar problemas de forma criativa:

Encontre soluções para problemas usando o improviso, especule sobre possíveis soluções e imagine caminhos, faça hipóteses, improvise, planeje estratégias, seja criativo, generalize e integre.

Num mundo dinâmico, nós temos que pesar de uma maneira flexível e criativa.

Esta é uma ênfase aos Aspergers, que mesmo dotados de grande inteligência e sendo de “alto-funcionamento “, muitas vezes são encurralados em situações que é necessário ser criativo para encontrar uma alternativa, outro problema que é muito mencionado no RDI é que as pessoas com autismo não tem a noção do “bom o suficiente” por causa na inabilidade do pensamento dinâmico, pois não conseguem contextualizar a situação. Por exemplo: Você marca um jantar em casa com o chefe do seu marido com 2 semanas de antecedência, você prepara o jantar, arruma a casa toda, compra flores e deixa tudo perfeito. Em outra situação, você passou o dia inteiro na rua de um lado para o outro e seu marido liga dizendo que vai levar o chefe para jantar em casa naquela noite, você toma um banho, joga a bagunça da sala no quarto e fecha a porta, deixa o banheiro de visitas decente e pede pizza (isto seria “bom o suficiente” pelo contexto da situação).

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