Sobre o curso – imagens de dois dias especiais

No último final de semana, realizei um curso sobre musicalização para autistas, para profissionais e estudantes que trabalham com a música com crianças autistas.

Foram dois dias muito intensos. Falei sobre minhas experiências e sobre o modelo que utilizo como ferramenta do meu trabalho.

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Brincadeiras com o parachute “musical”.

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Brincadeiras com o túnel de lycra

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O Polvo de lycra.

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Entre outras igualmente divertidas e que tem por objetivo criar recursos terapêuticos para abertura dos canais de comunicação, engajamento, interação, acomodação sensorial com os elementos sensoriais, etc.

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Para complementar nossa prática, tivemos uma oficina com o musicoterapeuta Di Lutgardes sobre percussão.

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Meu filho na inclusão escolar

Só quem é mãe de uma criança com necessidades especiais para entender o quanto é difícil matricular seu filho na escola regular. Além disso, algumas escolas cobram uma taxa a mais o que onera nossos bolsos.

Em parte entendo a posição da escola, pois as leis são criadas para obrigar as escolas particulares a fazer a matrícula do aluno especial, porém não oferece nenhum aparato a essas escolas, o que torna desinteressante a matrícula de aluno “mais custoso que os outros”. Infelizmente, é uma dura realidade. Incluir dá trabalho. Tem o mediador, a capacitação do professor e do mediador, a adaptação curricular.

Enquanto isso, nossos filhos, sofrem com essa desorganização e falta de interesse. Então, me pergunto: pra quê criar leis que obriguem as escolas a matricular alunos especiais, e não dá suporte as mesmas. Veja bem, não estou defendendo as escolas, se pago por um serviço ele tem que ser prestado, estou criticando a forma como essas leis são elaboradas. Pois somos nós pais que sofremos com tudo isso.

Abaixo segue uma matéria sobre o tema, e meu filho e eu fomos entrevistados sobre inclusão, no jornal da Band em 28/08/2014.

http://player.mais.uol.com.br/embed_v2.swf?mediaId=15590663&tv=1

 

http://mais.uol.com.br/view/15590663

Curso Música e Autismo

 

Últimas vagas! Não perca essa chance.

 

curso agosto

 

Programação:

Dia 29/08

09:00 – Credenciamento

09:30 – autismo, definições e concepções

Aplicação do modelo de avaliação Cars.

Exposição de vídeos

10:30 – coffee breack

11:00 – os aspectos sensoriais no autismo

Exposição de vídeos

12:00 às 13:30 – intervalo para o almoço

13:30 – elementos musicais para as acomodações sensorais

Estudo de caso, exposição de vídeos

15:00 – intervalo

15:30 – inicio da oficina de percussão com Di Lugardes

17:00 – encerramento

 

Dia 30/08

09:00 – Introdução ao modelo DIR/Floortime

Atividades musicais e do modelo para os níveis de desenvolvimento

Exposição de videos

10:30 – Coffee Breack

11:00 – Outros modelos desenvolvimentistas e seus respectivos jogos: RDI Intervention e play Project (exposição de vídeos)

12:00 à 13:00 – intervalo para o almoço

13:00 – Jogos musicais e brincadeiras de base sensorial

14:00 – encerramento e entrega de certificado.

Palestra na Apae de São José do Vale do Rio Preto

palestra que ministrei na Apae de São José do Vale do Rio Preto. Um encontro muito afetuoso. Obrigada pela recepção. ‪#‎musicaefloortime‬ ‪#‎casadinhaperfeita

apae

Dica de atividade musical para autistas e afins

Há três anos elaborei uma brincadeira musical para minhas crianças com autismo. Ela é simples e pode ser muito divertida!

Objetivo: Estimulação auditiva, planejamento motor, discriminação auditiva e visual, expandir repertório de linguagem…

Material:

1 calha de PVC

2 baldes pequenos

Bolinhas de guizo

Bolinhas sem guizo

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Algumas crianças com autismo, adoram “testar” a gravidade, não é mesmo? Adoram fazer os objetos rolarem e girarem, e se perdem neste momento. Pensando nisso, e usando como base uma brincadeira do modelo RDI Intervantion, resolvi adaptar para a musicalização.

Você deve criar o desejo da criança em dividir o jogo, em se envolver, engajar na brincadeira. Faça expressões, sons, palavras curtas, como: “ai, caiu, foi”, ou simplesmente usar glissandos.

Não esqueçam de oferecer suporte caso a criança não consiga realizar a atividade inicialmente. Aos poucos o cérebro faz a sinapse necessária para que ela processe a sequencia da atividade.

Varie os materiais e os objetivos de ensino.

Faça muito drama e vozes divertidas, faça cara de surpresa, boicote o caimento das bolas, enfim, use e abuse da criatividade!

Estimular a acuidade auditiva também é o ponto chave da brincadeira.

Abaixo fiz um vídeo tutorial explicando o jogo. Não reparem na gravação “self“. Fica péssimo, mas espero contribuir um pouquinho.

https://youtu.be/i5akye6Ao1w

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Michele Senra

Musicoterapeuta/CBM

Especialista em Educação Musical/CBM

Mestranda em Educação Musical/UFRJ

Arraiá danado de bão

O Arraiá da tia Dri (fga. Adriana Fernandes) foi um sucesso! Teve pula-pula, muita música e brincadeiras com nossos anjinhos azuis.

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Espero que venham mais e mais momentos afetuosos como esse.

Os sons da vida e a constituição do sujeito

Os sons da vida e a constituição do sujeito
Dos ruídos intra-uterinos à fala, muitos são os estímulos musicais a que estamos expostos, constituindo e registrando uma identidade sonora em nosso Ego, capaz de ser resgatada e revivida a qualquer instante pela musicoterapia

Por Clarice Mora Costa

À LUZ DA VIDA
O nascimento é uma modificação abrupta neste estado: a pele do bebê recebe novíssimas sensações – contato com o ar, diferentes contexturas, como mãos enluvadas, a pele da mãe sobre a qual é colocado, os agasalhos que o cobrem. A respiração se inicia, o ar penetra nos pulmões, começa a sensação de fome e para se nutrir precisa sugar. Os ruídos externos se modificam, impressionam diretamente seu ouvido, sem o fi ltro do líquido amniótico.

No útero, a partir dos 5 meses, o bebê é capaz de perceber estímulos sonoros, principalmente ruídos internos da mãe

O nascimento é a perda de um estado em que estava protegido num invólucro que atendia a todas as suas necessidades. Talvez seja a primeira falta que é a condição fundamental para a introdução da criança na rede simbólica. O nascimento dá início ao que Aulagnier denomina processo originário, em que o recém-nascido não se diferencia enquanto ser, não percebe o eu e o não-eu.

Diz Winnicott que o bebê nos primeiros momentos de vida tem a ilusão de que o seio é parte dele mesmo e que a mãe oferece a oportunidade para esta ilusão. Aos poucos, numa fase que acredita iniciar-se entre quatro e seis meses, o bebê começa a perceber que o seio é uma realidade externa, mas ainda com a ilusão de que ele próprio o cria, pelo fato de a mãe adaptar-se a suas necessidades. Nas suas palavras, a mãe sufi cientemente boa, depois de propiciar a ilusão, deve começar um processo gradativo de desilusão do bebê.

Mas o estado de simbiose persiste após o nascimento, não só para o bebê, mas também para a mãe, que continua a tentar suprir todas as suas necessidades. Não é raro que o seio comece a pingar leite espontaneamente quando o bebê chora. Winnicott observa que o bebê percebe o seio apenas quando este surge suprindo sua necessidade. Não há intercâmbio entre a mãe e o bebê. Psicologicamente, o bebê recebe de um seio que faz parte dele e a mãe dá leite a um bebê que é parte dela mesma.

No útero, o feto é impressionado por
um verdadeiro “concerto” polirrítmico
de sons; o ritmo é a primeira experiência musical do indivíduo

Se a mãe sente o fi lho como parte dela, podemos depreender que a mãe sufi cientemente boa, para desiludir o bebê, precisa reconhecê-lo como independente dela. O estado simbiótico existe de forma diferente na mãe e no bebê. Este depende da mãe por um período bastante longo para manter sua vida, suprir suas necessidades, enquanto o mesmo não ocorre com a mãe. Racionalmente a mãe sabe que seu bebê é um ser exterior a ela mesma, mas emocionalmente a ligação perdura. Cortar o cordão umbilical não é uma tarefa simples; talvez seja tão difícil para a mãe quanto para a criança. Mas se isto não ocorre, o bebê não poderá desenvolver-se e constituir-se como sujeito.

PERCEBENDO A MÃE
Experiências com lactantes mostram que eles reconhecem a voz da mãe desde as primeiras semanas de vida, reconhecimento este com papel de destaque face a outros modos de reconhecê-la. A formação da imagem materna se faz com a contribuição de cada um dos sentidos. No entanto, o reconhecimento pela visão, pelo tato e pelo paladar é parcial. O reconhecimento visual, por exemplo, exige a integração de diversas percepções como cor, forma, tamanho e localização das diversas partes do corpo; além do que existirão partes sempre inexploradas. A elaboração da imagem global da mãe é paulatina e exige a integração das diversas percepções, o que só ocorre plenamente com o desenvolvimento das funções do eu.

Como diz Aberastury, o reconhecimento da voz da mãe é “uma experiência total, única e precoce”. A voz da mãe é sentida como leite que entra pelos ouvidos de maneira concreta, intensa e fi sicamente gratifi cante.

O bebê reconhece desde cedo a voz da mãe, que infl uencia na criação da própria identidade

Ruídos, a voz aguda da mãe ou manipulações inadequadas produzem no bebê reações de ansiedade similares à fome, falta de calor ou contato, mesmo se outras gratifi cações sejam oferecidas adequadamente. A infl uência da voz da mãe e das canções é evidente desde os primeiros dias de vida. Esta experiência precoce torna a sonoridade e a voz fundamentais na criação da própria identidade, na constituição do sujeito.

Observou-se que, antes da satisfação da necessidade
alimentar, o bebê “se alimenta” de voz,
principalmente a materna

Estes estudos vêm sendo retomados e aprofundados por novos autores do meio psicanalítico. Foi observado que, antes da satisfação da necessidade alimentar, o bebê “se alimenta” de voz. O som que parece mais interessar ao bebê, desde muito cedo, é a voz humana, principalmente a voz materna.

Segundo Catão, a voz participa da instauração do laço entre a mãe e o bebê ao mesmo tempo em que se constitui enquanto objeto pulsional no espaço de ilusão entre os dois, e vai delimitar a fronteira entre a mãe e o bebê, sujeito e outro.

A fala materna, bem antes das palavras serem compreendidas, é puramente musical e a música da fala (suas infl exões, ritmo, cadência das palavras etc.) permite o estabelecimento de uma relação sincrônica com o agente materno. Vários autores mencionam a importância de um primeiro tempo de sincronia entre mãe e bebê. Winnicott expressa algo semelhante, quando afi rma que o bebê percebe o seio apenas na medida em que este pode ser criado no tempo exato de sua necessidade, o que implica a sincronia entre a mãe e a necessidade do bebê.

MUSICALIDADE MATERNA
A música da fala é signifi cante para o bebê. De acordo com Catão, a “sincronia signifi cante” antecede qualquer alternância para o bebê, embora já deva estar presente do lado da mãe. Sendo signifi cante admite a atribuição de sentidos, que independem do signifi cado das palavras. No momento originário, os sons causarão prazer ou desprazer, dependendo da qualidade sonora. O prazer de ouvir é o primeiro investimento na linguagem e sem este prazer não é possível transformar o som puro em signos, que se iniciam no processo primário.

O primeiro sentido atribuído pelo infans à voz materna é sua presença ou ausência. Se a voz materna é prazerosa, o bebê vai desejar escutá-la e começa a perceber que a falta da voz indica a falta da própria mãe, presença necessária para existir o prazer. Esta primeira percepção da falta materna começa a introduzir a noção de sujeito e outro. A voz da mãe passa então a ser percebida como um signo não só da presença, mas também do desejo materno em relação ao bebê – dar ou negar prazer. O enigma do desejo do outro é que levará o bebê a falar, e não o simples estímulo sonoro.

CENTRO DE MUSICOTERAPIA BENEZON BRASIL
Na sessão de musicoterápica, os pacientes optam pelos instrumentos e o psicoterapeuta encarrega-se da parte melódica

A aceitação da música da voz leva a trocar o caos sonoro da vida intra-uterina e do nascimento pela sincronia signifi cante introduzida pela mãe. A escuta antecede a fala. A função da fala não é a repetição de palavras, mas a presença de um sujeito e a introdução de uma alternância de sujeitos falantes. Somente por escutar a si mesmo e ao outro, a criança falará. Quando responde à música da voz, o bebê passa da sincronia à alternância. Surgem então, de acordo com Barcellos, quatro tipos de grito com estruturas e funções distintas – o grito de fome, de cólera, de dor e de resposta à frustração.

A relação do bebê com a voz e a sonoridade tem um papel fundamental na aquisição da linguagem/fundação do sujeito.

IDENTIDADE E SONORA
A importância da sonoridade para o ser humano tem sido percebida e estudada pelos musicoterapeutas há várias décadas. Em 1944, Altshuler formulou o Princípio de ISO (do grego “igual”) afi rmando que o tempo musical empregado pelo musicoterapeuta deve estar em sincronia com o tempo mental do paciente para ser estabelecida a relação. Benenzon retoma este princípio propondo o conceito de identidade sonora. O ISO deixa de ser uma correspondência entre a música e estado mental do paciente, como propusera Altshuler, e passa a abranger todos os aspectos do som introjetados pelo ser humano como indivíduo e como ser social. Deixa de significar igual e torna-se uma sigla – Identidade Sonora. Barcellos propõe a sigla ISo para diferenciar do ISO de Altshuler. A musicoterapia, de acordo com Benenzon, passa a ter um objeto próprio de estudo, “o complexo som-ser humano”, não se limitando a uma forma de tratamento.

Os novos estudos psicanalíticos mostram a importância do sonoro na formação do sujeito. Se o som e a música da voz materna são fatores indispensáveis para a criação da identidade, para a diferenciação do sujeito e do outro, a música e a musicoterapia têm um papel fundamental, seja no diagnóstico, seja na intervenção terapêutica, para possibilitar ao sujeito psicótico a reintrodução na linguagem e a recriação da identidade.

A musicoterapia tem um papel fundamental de, seja no diagnóstico,
seja na intervenção terapêutica, possibilitar ao sujeito psicótico a
reintrodução na linguagem e a recriação da identidade

Watzlawick, com outro enfoque teórico, afi rma que o emprego da linguagem como meio de comunicação tem dois aspectos distintos e complementares – a comunicação analógica e a comunicação digital. Esta se dá por meio das palavras e seus signifi cados. A primeira é a comunicação não-verbal que acompanha a fala – gestualidade, infl exões da voz, seqüência e cadência das palavras, o que denominamos de música da fala. Afi rma que confi amos quase exclusivamente no não-verbal quando a relação é o ponto central da comunicação.

O musicante não denomina coisa alguma, mas seria ligado
a relações de afeto, e a signifi cação
musical seria de ordem emocional

Martha Negreiros e eu mesma, desde o início dos anos 80, começamos a nos interessar pela peculiaridade da linguagem musical, sua signifi cação e a pertinência de sua utilização como terapia.

O cirurgiãodentista Dr. Feijão usa a música em hospitais: a idéia é transformar dor em alegria

MÚSICA E FALA
A música é uma linguagem, assim como a fala, constituída por sons e silêncios, alturas, timbres, intensidades, ritmo. A diferença entre a música da fala e a música propriamente dita é que a linguagem verbal possui somente o aspecto melódico, enquanto a música se caracteriza por admitir, e até mesmo exigir, a harmonia. Tem, sob este ponto de vista, muito maior riqueza expressiva do que a música da fala.

Os sons participam da forma musical e, dispostos em uma sucessão ordenada, passam a possuir um sentido não redutível à forma, comportando signifi cados conotativos atribuídos pelo intérprete ou ouvinte no momento da execução ou audição da peça musical. Assim, a música é signifi cante. Afi rma Vivarelli que os psicanalistas atribuem uma autonomia ao signifi cante, com leis próprias, independentemente do signifi cado. O signifi cado desliza sob o signifi cante. O signifi cante, em si, fora de uma cadeia associativa, não signifi ca nada, já que é do deslizamento dos signifi cados sob a cadeia signifi cante que surgirá o fenômeno da signifi cação.

Guiraud-Caladou propõe o termo musicante para o signifi cante musical, que adquire sentido dentro de uma cadeia de intervalos, alturas, intensidades e demais parâmetros do som. Mas qual seria este sentido? O musicante não denomina coisa alguma, mas seria ligado a relações de afeto, e a signifi cação musical seria de ordem emocional ou, como diz Guiraud-Caladou, “tem essencialmente por signifi cação a ordem do vivido”.

Para averiguar a existência do musicante, em pesquisa realizada no Instituto de Psiquiatria da UFRJ, foram selecionados quatro trechos musicais distintos entre si. Foram testadas individualmente pessoas consideradas normais e outras diagnosticadas como esquizofrênicas. Verifi cou-se que a música é signifi cante, com um sentido amplo, mas não irrestrito. As signifi cações atribuídas pelos sujeitos, tanto normais quanto esquizofrênicos, foram aproximadamente as mesmas, o que legitima a hipótese de que a música se constitui uma linguagem que permite a interpretação dos conteúdos veiculados pela pessoa psicótica podendo, portanto, ser usada terapeuticamente.

O PROCESSO MUSICOTERÁPICO
No estudo do processo musicoterápico, observou- se que os pacientes a princípio atribuem apenas prazer ou desprazer ao tocar, cantar, ouvir. Ao escutar e ser escutado, tem início uma forma rudimentar de percepção do outro, de algo ou alguém pertencente ao espaço exterior, seja este outro o instrumento musical ou uma pessoa. No decorrer do tempo, a relação entre o paciente e o grupo/musicoterapeuta passa a ser o centro do processo. Após o estabelecimento da relação, o paciente começa a comunicar seus problemas pela linguagem verbal, de forma coerente. Este processo se assemelha à hipótese de Aulagnier sobre o processo de aquisição do campo semântico. Concluiu-se que a musicoterapia parece proporcionar a oportunidade de revivenciar fases muito arcaicas de formação do Ego e, nesta nova vivência, a sonoridade é introjetada como prazer possibilitando o relacionamento com o outro e a inserção no discurso cultural. A linguagem musical, portanto, propicia a comunicação com o mundo autístico do psicótico.

Reunindo os estudos recentes, que mostram a incorporação da linguagem e a fundação do sujeito como interligadas e concomitantes, com os conceitos de ISO e ISo, de musicante e o processo musicoterápico, o alcance da musicoterapia se amplia para além da veiculação de conteúdos e da comunicação terapêutica com o psicótico. Como possibilita a inserção no discurso, contribui também para a (re)construção da identidade ou constituição do sujeito.

A musicoterapia parece proporcionar a oportunidade
de revivenciar fases muito arcaicas de formação do Ego

Aberastury já afi rmava que “a infl uência das canções nos primeiros meses e dias de vida é evidente”. Barcellos frisa a importância do acalanto, “uma forma de a mãe dar continência ao seu bebê”, e afi rma que “o inconsciente do novo ser humano (…) banhase no sonoro que funda e nutre esse inconsciente em sua aparição primeira”. Refere-se também à função exercida pelas cantigas de roda. Cirigliano diz que o acalanto é uma canção transicional facilitadora do processo de separação mãe/bebê.

Cabe a nós, musicoterapeutas, aprofundar os estudos que vêm sendo realizados e desenvolver técnicas e procedimentos que possam ajudar a emergência do sujeito. Fica como sugestão a pesquisa do cancioneiro infantil que faz parte da vivência dos pacientes, e o que ocorre em presença destas canções no trabalho clínico. A incorporação de acalantos e canções infantis às sessões talvez possa tornar o processo musicoterápico ainda mais efi caz.

Clarice Mora Costa é licenciada em Pedagogia pela PUC e graduada em Musicoterapia pelo Conservatório Brasileiro de Música. Trabalhou como musicoterapeuta no Instituto de Psiquiatria da UFRJ (IPUB), realizando atendimentos e pesquisa sobre musicoterapia para psicóticos. Lecionou e foi orientadora de monografias de cursos de especialização e participou de mesas examinadoras destes cursos oferecidos pelo IPUB. Autora dos livros O despertador para outro – Musicoterapia e Oficínas Terapêuticas em Saúde Mental (organizadora) no Brasil e Musicoterapia para Deficiências Mentais em Portugal. Contato kice@uol.com.br

 

 

Curso sobre autismo para educadores musicais e musicoterapeutas

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Atendendo à pedidos, em agosto estarei ministrando um curso sobre musicalização para autistas com meu amigo Di Lugardes. Não deixem de fazer inscrição. Vagas limitadas!

Brincadeiras proprioceptivas agrupadas em 10 itens

Encontrei este post com dicas sensacionais. Apreciem!

Brincar sentindo o corpo! (Ana Elizabeth Prado)

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Novidade?

Não deveria ser.

Nos tempos atuais precisamos estar atentos e valorizar os ricos momentos de estar conectados aos sentidos do corpo. Cada vez mais pessoas estão conectadas às máquinas. Nada contra a tecnologia. Mas vale lembrar que é o corpo que se conecta para a adaptabilidade do modo de vida contemporâneo… utilizando a máquina quando precisa para viver melhor.

Que este corpo esteja bem para viver bem!

O primeiro passo é valorizar a importância dos sentidos em nossa vida. Eles são a base do desenvolvimento e aprendizagem. Os primeiros movimentos, a pausa, os ajustes, das partes e do todo, o tônus sendo alimentado pelas sensações em via de mão dupla…aliás, múltipla. Diversos sentidos se retroalimentando para formar o substrato do conhecimento do que somos formados. Como o tônus pode se regular, como o movimento pode ser graduado, dirigido e refinado. Como as informações sensoriais podem influenciar o estado de alerta e atenção. Todos estes aspectos são contemplados por um bom funcionamento do sistema proprioceptivo integrado aos outros sistemas sensoriais, principalmente o tátil e vestibular.

Por isso é tão importante propiciar oportunidades que a criança brinque nos diferentes planos, com intensidades e direções de movimentos, em situações para diferentes ajustes de tônus e percepção do corpo para conhecimento de si e em conexão com o coletivo. Isto irá ajudar a criança  nos diferentes contextos nas habilidades psicomotoras, pedagógicas e sociais.

Por ora vou elencar algumas brincadeiras que têm forte incentivo à propriocepção, mas deve ser considerado que não há  brincadeira que isole um só sentido. Algumas são mais evidentes de propriocepção e tátil, outras propriocepção e vestibular. Vamos considerar que o processo de Integração Sensorial é dinâmico e multissensorial.
Coloco também links de outras postagens relacionadas ao tema.

Aviso aos brincantes: a criança precisa estar envolvida e gostar da brincadeira!!!

1- “Sanduiche” de gente – envolva a criança com almofadas, cobertor ou como no caso desta foto um grande almofadão cheio de bichos de pelúcia macios e/ou almofadas.
Que seja macio, preciso e dê um sentido de continuidade do território corporal.
Que seja lúdico: a criança é o recheio e você irá passar a maionese no cachorro quente, ou o requeijão no pão. Amasse, faça toque com pressão profunda contínua, mexa e remexa. Eles adoram!
Provoque respostas da criança como sair se movimentando, querer ficar quieto, pedir mais.
Esta brincadeira estimula no mínimo o sistema tátil e proprioceptivo a depender da intensidade e  movimento.

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Há crianças que precisam de muito estímulo para sentir o corpo e entrar no estado de autorregulação por meio de estímulos proprioceptivos e táteis. Nestas situações deve se ter critérios a depender do Perfil Sensorial e ser supervisionado por um adulto para a segurança da criança. Consulte um especialista em Integração Sensorial para saber mais.

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2- Esticar o corpo. Use tecidos elásticos para oferecer resistência e provocar situações diferentes de amplitude e intensidade de  movimento nas articulações. Incentive o espreguiçar. Sempre!

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A seguir brincadeiras para estimular as diferentes formas de contato entre as articulações e uso das cadeias musculares vivenciando os graus de regulação de tônus, manejo do corpo no espaço e tempo, de forma lúdica. Além de estimular a propriocepção estas brincadeiras podem regular o estado de alerta e atenção. Vale a pena ser experimentado também no ambiente escolar.

3- Pular – em superfícies diferentes: seja no chão, na cama elástica, no colchão, na bola, na brincadeira de corda. Pular amarelinha. Corrida de saco.

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4-Subir e pendurar-se – em árvores, em brinquedos de parque, no trapézio, em cordas.

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5-Carregar – mochila, objetos pesados de acordo com a possibilidade da criança, no contexto.

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6- Empurrar o corpo contra superfícies e com outros corpos.

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7- Puxar objetos, brincar de cabo de guerra, puxar água com rodo.

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8- Brincar com os pés. Além das brincadeiras de pular incentive a sentir o contato dos pés com diversos materiais como bambu, sementes, massinha. Faça caminhos sensoriais com brincadeiras de imaginação. Brinque com o equilíbrio, peso, direção e amplitude diferentes dos membros.

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(Jogos com peteca, jogo de raquete, pingpong)

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(Atividades artísticas como argila, impressão das mãos, apertar tubo de cola e tinta.)

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A antiga e tão necessária: “Cama de gato”. Dica de livro – passo a passo

10- Brincar com a boca –  estalar a língua, chupar uma fruta, sugar um canudo de voltas, soprar, mastigar alimentos sólidos e brinquedos orais com pressão intra e extra oral. Uso de vibradores orais.

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Ao terminar de escrever esta postagem fico com uma sensação que muitas brincadeiras de tempos atrás estão caindo no esquecimento. Ao mesmo tempo constato nos atendimentos que muitas crianças estão precisando estruturar melhor o sentido do corpo.
Será que há relação com a mudança de hábitos dos tempos atuais?
Que tipo de brincadeiras estamos incentivando às crianças?

ANA ELIZABETH PRADO

Terapeuta ocupacional pela UFPE. Pós-graduação pela USP em Práticas Artísticas e Terapêuticas. Especialização no método neuro-evolutivo Bobath, Integração Sensorial e Eutonia.

Fonte: http://www.reab.me/brincadeiras-proprioceptivas-agrupadas-em-10-itens/

 

Estimular o desenvolvimento com bambolê

Tive um menino que tinha hipo sensibilidade vestibular, não tinha senso gravitacional, equilíbrio, etc. Além de hiper sensibilidade auditiva a determinados sons.

Quando ouvia uma determinada música girava sem parar, e não sentia tontura. Isso foi bem no início da minha carreira profissional. Pensava comigo: como que numa aula de música posso ajudar esta criança? Tocar instrumento ou cantar, ele pedia para parar, quando colocava uma música no rádio, girava sem parar.

Até que, um dia peguei o bambolê e comecei a brincar com ele. Quando o bambolê caia no chão o movimento deveria parar. E olha que funcionou. Ao girar ele recebia o estímulo (a sensação) que buscava, mas quando o bambolê caia no chão, seu corpo finalmente conseguia perceber e se acomodar apropriadamente.

No passo seguinte, foi introduzir a bola com ritmo musical (sentar na bola, quicando dentro da marcação rítmica proposta, cantando uma canção). Isso fez com que passasse a assistir seus clipes musicais em casa, sentado na bola marcando o ritmo, parando assim, de girar em torno de si.

Abaixo seguem algumas dicas do uso de bambolê, aproveite!

Prender o bambolê cheio de fitas coloridas no alto e estimulara criança a passar por ele: atividade sensorial tátil
Prender o bambolê no alto e pendurar nele circuito de lampadas de led (iguais aqueles colocados em árvore de natal): atividade sensorial (tátil e visual)
Usar o bambolê para fazer bola de sabão gigante: atividade sensorial tátil….bimanual…de cooperação…
Fazer vários furos no bambolê e acoplar ele a uma mangueira: atividade de coordenação motora fina e sensorial tátil e proprioceptiva
Prender o bambolê no alto circundado por lençol: atividade sensorial que pode ser usada para trabalhar interação e aspectos perceptos-cognitivos, além dos aspectos emocionais
Andar junto com outra pessoa por dentro do aro do bambolê: atividade de coordenação motora e de propriocepção, além de trabalhar compartilhamento
Rodar o bambolê na cintura: atividade proprioceptiva, de coordenação motora, de ritmo, de mobilidade,…
Rodar o bambolê em um dos braços: atividade proprioceptiva, de coordenação motora, ritmo e lateralidade
Rodar dois bambolês ao mesmo tempo sendo um em cada braço: atividade proprioceptiva, de coordenação, ritmo, de integração bilateral e sequenciamento,…
Pular de um pé só dentro do bambolê: atividade de coordenação, de propriocepção, de equilíbrio, de lateralidade,…
Pular com os dois pés juntos dentro do aro do bambolê: atividade proprioceptiva, de coordenação motora, de ritmo,…
Brincar de dentro e fora usando música: atividade de organização espacial
Pular com os dois pés rodando o bambolê de trás para a frente do corpo: atividade proprioceptiva, de coordenação, ritmo e de preensão e mobilidade do punho
Pular dentro do bambolê, ora com um pé e ora com os dois pés: atividade de integração bilateral e sequenciamento
Disparar água dentro do bambolê que está suspenso, respeitando as cores escolhidas ou pré-determinadas: atividade bimanual, de atenção, de coordenação, equilíbrio,…
Passar por dentro dos aros dos bambolês: atividade de coordenação motora grossa
Rolar o bambolê: atividade de coordenação, equilíbrio e integração bilateral
Confeccionar bambolês com mangueira transparente e encher elas com contas coloridas: atividade de confecção e de coordenação motora…bimanual, de atenção,…
Usar o bambolê como tear: atividade de confecção…de atenção….bimanual…de coordenação motora fina
Usar o bambolê preso na parede para  funcionar como a circunferência de um relógio: atividade de orientação temporal e de cognição….Pode ser usado também para trabalhar conceito matemático…
Usar bambolês como espaço para somatório matemático indicado no balão: atividade cognitiva
Usar os bambolês para trabalhar noção de conjuntos (intersecção, inclusive): atividade cognitiva
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