Autismo e a atenção compartilhada

Um aspecto muito importante para trabalhar com a criança com autismo é a atenção conjunta ( atenção compartida), ou seja, a habilidade para compartir a atenção com outra pessoa enquanto ambos estão prestando atenção ao mesmo objeto ou realizando uma atividade.

Distinguiremos dois aspectos na atenção compartida:

– Resposta, ou seja a criança mostra interesse ( verbal ou não verbal) dirigida a vivencias, atividades ou situações de brincadeira de outras pessoas- por exemplo, participa em uma conversa ou em uma brincadeira com outras crianças.

-Iniciativa, ou seja, a criança comparte, mostra ou interessa a outra pessoa na atividade que está realizando- por exemplo, mostra o desenho que acaba de fazer, fala para a sua mamãe com quem brincou ou se mostra orgulhoso por algo que acaba de fazer, buscando o olhar.

Vejamos alguns exemplos simples para provocar a atenção compartida:

Apontar:

Apontar um objeto de interesse é atenção conjunta. Uma foram de ajudar a desenvolver a atenção compartida é fazer este tipo de comunicação mais concreta: tocar o objeto que esteja apontando no lugar de apontar desde longe. Uma atividade que pode contribuir ao desenvolvimento da atenção compartida é criar situações nas quais seja provável que isso aconteça.

Por exemplo, ver livros de desenhos é uma atividade que com freqüência implica a atenção conjunta. Ao tempo que olhais o livro , aponta a imagem e dá nome ao desenho. Esso demonstrará a criança uma forma de atenção conjunta que pode copiar.

A caixa de surpresas:

Criar surpresas também promoverão a atenção conjunta. Existe diversos modos de fazer isso. Colocar diferentes brinquedos que sejam atrativos para a criança em uma bolsa e ir tirando uma a um da bolsa.

Esconder brinquedos:

Também pode esconder esses brinquedos em diferentes lugares da casa e brincar a buscar. Quando encontre o brinquedo ou tire da bolsa exagere tua reação, olha a criança, aponta o objeto e faz uma declaração verbal simples como “ Olha um helicóptero”.

Criar situações em que aconteçam coisas inesperadas:

Também pode criar situações nas quais suceda algo inesperado. Utiliza a imaginação para fazer isso. Por exemplo, se tem um brinquedo de controle remoto, pode ligar-lo quando a criança não esteja pendente dele. De novo , criando esse tipo de situações , oferece oportunidades para praticar a atenção conjunta, antes que esperar que essas circunstancias apareçam de forma natural.

Em nosso caso,trabalhamos a atenção compartida também de forma estruturada e esses são os passos que seguimos:

1 A criança se interessa por um objeto de outra pessoa:

Para isso se utiliza dois objetos (um caminhão e um carro, por exemplo). Lhe das o carro a criança para que comece a brincar, em um momento tu pega o caminhão , e começa a brincar de forma divertidíssima , exagerando os gestos e as palavra: “Rum-rum uau, este caminhão é genial”, etc. O objetivo é que a criança deixe seu carro e comece a interessar-se pelo teu caminhão, te pergunte e ponha a brincar contigo.

Sarah, uma de nossas coterapeutas , realizou o trabalho de fim de carreira sobre atenção compartida. Grande parte desse trabalho está baseado na sua experiência com Erik. Sua forma de despertar o interesse de Erik nesse passo foi a seguinte:

Depois de ter realizado uma atividade de mesa com a criança , te levantas sem dizer nada , tira um cordão do bolso , o examina com grande interesse, toma uma folha de papel , um lápis, algo que te sirva de apoio( uma pasta por exemplo) e te senta no chão. Durante este processo, darás cada passo muito devagar, observando se a criança olha o que estás fazendo. No caso de que a criança não olhe , digas verbalmente o que estás fazendo: “ Oh, tiro um cordão do bolso da calça” etc.

Uma vez sentada no chão , olha pro cordão , tocas , faz um laço, solta o laço…e outras figuraas. A final , desenhas uma das do cordão em uma folha de papel.

O objetivo e que a criança mostre interesse pelo que estás fazendo e manifeste interesse de fazer a mesma coisa:

– A criança pede um cordão para ele( terás outro preparado no bolso)

-A criança te pede teu cordão

-A criança pergunta , o que você faz?

-A criança pede que você faça outras figuras com o cordão.

Podemos controlar os progressos anotando os seguintes dados:

-A criança mostra interesse perguntando

-A criança mostra interesse olhando

-A criança se senta no chão por iniciativa própria junto a ti

-A criança expressa o desejo de fazer o mesmo

-A criança participa na brincadeira, te pede que faça novas figuras , ele pede um cordão…

2 A criança te inclui em uma atividade

A criança está brincando ( ou quer brincar) e o objetivo é que te incluía na sua brincadeira de forma ativa, ou seja, te pede algo ou necessita tua ajuda.

Podes provocar esta situação tendo preparada brincadeiras, partes de uma brincadeira ou material que a criança goste muito para que ele não possa alcançar sem tua ajuda (por exemplo, colocando em uma estante alta).

Ou podes provocar também mudanças nas brincadeira : a criança está brincando com os LEGO, e te sentas com ele e sugeres uma nova construção( faltará alguma peça importante, que estará à vista da criança porém não pode alcançar; assim te pedirá ajuda).

Vejamos um exemplo continuado com o programa de desenvolveu Sahah :

Uma vez que esteja desperto o interesse da criança pelo cordão e está sentado a seu lado brincando contigo , deixarás de brincar, de participar e de falar durante um minuto. A criança deve dar- se conta de tua atitude e pedir-te que continues. No caso de que passado um tempo prudencial a criança não tenha reagido, terás que usar o engenho para mostrar que não estás participando ( um espirro, levantar-se, deitar-se no chão, etc.).

Outra atividade que se pode realizar, é propor a criança que pegue sobre o papel quatro cordões formando um quadrado. A criança deverá pedir-te três cordões mais e cola. Uma vez pegado o quadrado, podes propor seguir até formar uma casa. “ olha, podemos fazer uma casa. Que falta? – o telhado- claro, falta o telhado. E juntos continuais com a atividade: janelas , porta, etc, sempre mão a mão com a criança.

Controlaremos os progressos da criança anotando:

-A criança se da conta de que o adulto deixou de brincar

-A criança pede ao adulto que siga brincando

– A criança pede ajuda para continuar com a atividade

-A criança presta atenção ao que está continuado o adulto

3 A criança se da conta de mudanças ou coisa fora do lugar e isso indica 

O propósito é surpreender a criança com algo inesperado, que ele se de conta e indique. E uma brincadeira muito divertida( em linha com os cartões absurdos): colocar-se os óculos ao revéis, uma meia como luva, colocar a cadeira encima da mesa, derrubar algo “sem querer” e dizer “ohh!”, colocar algo fora de lugar( uma sandália em uma caçarola), mudar o uso de um brinquedo ( pentear-se com uma peça de LEGO), fazer algo inesperado( meter-se a bola debaixo da camiseta em vez de seguir jogando ao futebol.) etc.

Controlaremos os progressos da criança anotando:

-A criança se dá conta das mudanças olhando

-A criança se dá conta das mudanças apontando

-A criança se dá conta das mudanças dizendo

4 A criança mostra algo que viu , aconteceu ou fez

Podemos provocar alguma situação : por exemplo , lhe pedimos para trazer algo de um quarto, previamente nesse quarto deixaremos algo fora de lugar de forma muito visível.

Por exemplo : colocamos uns jarros do jardim ou colocamos duas cadeiras encima da cama ou sentamos um animal de pelúcia enorme no inodoro e colocamos um laço na torneira do banheiro, ou tudo que passe pela cabeça que não seja perigoso.

O objetivo é que a criança venha e conte: “ estão as cadeira encima da cama” ou que nos peça ir com ele para ver.

Avançando nesse aspecto seria que a criança nos mostre os desenhos que fez: tanto que nos chame para ver-lo ou que venha com o papel para mostrar, ou a construção com os LEGO, ou as manual idades do colégio, ou o que seja.

Para isso , tanto meu marido como eu começamos também a mostrar coisas que tínhamos feito: “olha, acabo de pendurar um quadro no corredor, vem” ou “ olha tenho um frango no forno”, etc qualquer situação é boa.

Por outro lado , quando Erik estava, por exemplo, desenhando . Ir varias vezes ver: “ oh, que desenho mais bonito, este desenho quero pendurar. Avisa-me quando termines”. Mais adiante pedir: “ trás o desenho quando termines”. Em ambos casos ,pendurar logo o desenho com el em um lugar visível e exagerar: “ Que bom, você trouxe e temos pendurado” etc. Sempre de forma muito motivadora.

Também sempre depois das sessões de terapia , a terapeuta lhe pedia a Erik para vir e mostrar-me xxx do que tinham feito ( um desenho, uma ficha, etc).

Uma brincadeira que também praticamos para provocar Erik mostrasse o que acaba de fazer , era sentar-nos costa com costa no chão. Cada um de nós tinha o mesmo diante: uma folha para pintar ou umas peças de LEGO ou massinha, etc. Utilizávamos um despertador para marcar o tempo: ao soar, a Idea era que cada um mostrasse – dando a volta- o que tinha feito. Pouco a pouco a base de revezar e do tempo, conseguimos que Erik mostrasse o que tinha feito e pedisse a outra pessoa que lhe mostrasse o que tinha feito.

5 A criança mostra interesse nas experiências de outras pessoas

Durante a sessão de terapia ou ao pegar Erik na creche, lhe perguntávamos sempre questões concretas : que você comeu?, me conta o nome das crianças com quem você brincou hoje? Você brincou com LEGO? Etc.

Depois, no meu caso ou a terapeuta , narrava algo divertido ( exagerar) que tivesse feito , para provocar o interesse de Erik e que ele seguisse perguntando.

Durante as jantas comuns, tínhamos sempre um brincadeira: cada um de nós contava algo que tivesse feito durante o dia, e depois perguntávamos os detalhes uns aos outros.

Trabalhar imagens sociais

Bem com imagens sociais de criação própria, ou com ajuda de estórias infantis ou com figurinhas de Lego ou com cartões de seqüências temporais ou representando o desenho conjuntamente, se trabalham diferentes conceitos:

-Compreensão da história

-Como te sentes tu? Como me sinto eu? Como se sente xxx?

-Continuar a história que passa depois?

– Eleger entre dois finais

-Inventar conjuntamente uma história.

 

Fonte: http://enfrentandooautismo.blogspot.com.br/2011/08/atencao-compartilhada.html

Posted on Março 9, 2014, in Dicas para os pais, Dicas para profissionais and tagged , . Bookmark the permalink. 2 comentários.

  1. leticia carneiro

    tenho muita vontade d trabalhar com crianças autistas entao gostaria d q me mandassm mais coisas falando

  2. Trabalho com autista, gostaria de receber, material sobre o TEA. Grata.

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