Comunicação dinâmica social

A comunicação exige reações subjetivas, não se pode esperar por perfeição, por seguir scripts, temos que ser capazes de suportar quando acontece uma perda na conexão e ter a capacidade de re-conectar.

comunicação instrumental é baseada na busca de algo, um objeto, recusa dele, uma informação. Ela é limitada num objetivo concreto. Uma mensagem sai do ponto A (emissor) vai para o ponto B (receptor), então o ponto B (agora emissor) retorna para o ponto A (agora no papel de receptor), esse seria o ciclo da comunicação instrumental.

comunicação dinâmica é um produto do que nós estamos pensando e sentindo em relação ao que nosso(s) parceiro(s)  pensam e sentem construindo “pontes” temporárias.

Comunicação é :
A reflexão de pensamentos e sentimentos;
Um compartilhamento de mentes e pensamentos;
Broadband, acontece em múltiplos canais (verbal, não verbal – expressões faciais, barulhos,
entonação, gestos e posição corporal)
Dinâmica
Regulatória
Frágil, acontecem quebras que precisam de reparo.

A comunicação dinâmica requer um entendimento e processamento de vários canais de
comunicação ao mesmo tempo para deocodificar uma única mensagem.

Existem 7 estágios no desenvolvimento típico da comunicação


Corpos em ação
 – é quando movemos nossos corpos coordenados com outra pessoa, como no caminhar lado a lado, posicionar nossos corpos de maneira que mantenham a comunicação fluindo

Expressão facial 
– ajustamos nossa expressão facial e olhar conforme a conversa, conforme as indéias vão sendo montadas e transmitidas.

Gestos –  levantar os ombros, apontar, mexer a cabeca, etc

Tom de voz e vozes
 – entonação, sons que fazemos para complementar as palavras (Ah! Oh! Mmm)

Palavras – comunicação verbal

Postura
 – posição corporal, proximidade, toque

Contexto – o sentido da informação depende do contexto


O grande obstáculo em muitas pessoas com autismo não é a falta de palavras verbais mas a falta de desejo em se comunicar.

Mesmo que a pessoa com autismo tenha esse impulso de comunicação mais intacto, muitas vezes o contato e processamento das próprias emoções é difícil e elas passam grande parte do tempo esquivando-se de entrar em contato com elas ou com muita dificuldade de entendê-las e controlá-las, por essa razão a comunicação dinâmica é impactada pois ela acontece através da troca de idéias que necessariamente são de cunho emocional.

Outras dificuldades e o entendimento do ritmo, a coordenacao com a comunicacao com parceiros, uso de enfase, concertar quando ha uma quebra na comunicacao, regular os turnos na comunicacao, criar espaco para q os parceiros tambem possam se comunicar. (este ultimo e relativo aos Aspergers quando tem a fixacao por um assunto e falam sem parar).

Atraves do RDI, acredita-se que a comunicação é uma dança, enquanto A esta enviando a mensagem B já está dando respostas através da expressão facial, gestos, movimentos da cabeça, postura, etc. Não é uma relação ponto A faz, ponto B responde e sim uma ação simultanea de A e B.

Quando você explica uma coisa ao vivo para alguém você está constantemente monitorando a sua fala através das respostas não verbais que você está recebendo do seu parceiro, estas respostas fazem com que vocêc ajuste o ritmo, repita alguma palavra, explique novamente em outras palavras ou encerre o assunto (se o seu parceiro parecer profundamente entediado), você às vezes até ajusta a sua opinião dependendo desta resposta não verbal.

Isto acontece em qualquer conversa, mesmo sem ver a pessoa e só com a voz, por exemplo ao telefone, você vai monitorando a sua conversa através dos ah!, mmm, humhum que a pessoa vai emitndo no decorrer da sua fala.

Comunicação Guiada

O q fazer:
Comunique o que vocês estão fazendo juntos.
Comunique numa maneira de convite para compartilhar a experiência. (esta é outra
crítica ao ABA, o RDI acredita que a comunicação no ABA é baseada em perguntas e
respostas e no RDI ela deve ser de modo descritivo para promover um momento agradável
de compartilhamento)
Fale devagar.
Use menos palavras possíveis. (o uso limitado de palavras é para ajudar a pessoa com
autismo a canalizar o foco, menos palavras, menos distração).
Tenha certeza que o pensamento vem antes da fala, de tempo para a pessoa com autismo se
manifestar.
Enfatize a qualidade do que é falado (comentários, compartilhamento de emções) ao invés
da quantidade falada (quantas palavras usa em uma frase, etc)
Construa um “sistema de comunicação” com seu filho de uma maneira que englobe vários
canais de comunicação. (abuse de expressões faciais que complementam a mensagem verbal, gestos, posicionamento corporal – você pode posicionar a pessoa de uma maneira que
ela fique mais próxima do foco que você quer a atenção, ou posicione seu corpo de maneira que
bloqueie outras distrações ou impessa que a pessoa tenha uma “rota de fuga”.
Entenda e ajude a criança a entender que na comunicação existem “cortes” e por isso ao se
comunicar com alguém é necessário constante monitoramento, manutenção e reparos.

Solucionar problemas de forma criativa:

Encontre soluções para problemas usando o improviso, especule sobre possíveis soluções e imagine caminhos, faça hipóteses, improvise, planeje estratégias, seja criativo, generalize e integre.

Num mundo dinâmico, nós temos que pesar de uma maneira flexível e criativa.

Esta é uma ênfase aos Aspergers, que mesmo dotados de grande inteligência e sendo de “alto-funcionamento “, muitas vezes são encurralados em situações que é necessário ser criativo para encontrar uma alternativa, outro problema que é muito mencionado no RDI é que as pessoas com autismo não tem a noção do “bom o suficiente” por causa na inabilidade do pensamento dinâmico, pois não conseguem contextualizar a situação. Por exemplo: Você marca um jantar em casa com o chefe do seu marido com 2 semanas de antecedência, você prepara o jantar, arruma a casa toda, compra flores e deixa tudo perfeito. Em outra situação, você passou o dia inteiro na rua de um lado para o outro e seu marido liga dizendo que vai levar o chefe para jantar em casa naquela noite, você toma um banho, joga a bagunça da sala no quarto e fecha a porta, deixa o banheiro de visitas decente e pede pizza (isto seria “bom o suficiente” pelo contexto da situação).

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Brincadeiras para desenvolver a comunicação

Os exercicíos são baseados em brincadeiras “naturais” da infância que sob uma ótica de pesquisa, desenvolve naturalmente os conceitos de comunicação, sociabilidade e regulação emocional.



O princípio de desenvolvimento dos ciclos de comunicação é a brincadeira de rolar uma bola de uma pessoa para outra. O ciclo de comunicação seria, “A” faz uma pergunta, “B” responde ou faz um comentário ou outra pergunta, “A” responde ou comenta de volta e assim por diante, é o desenrrolar de uma conversa. No desenvolvimento típico, o vai e vem de caretas e sons é o primeiro sinal de comunicação, brincadeiras que explicitem isso irnão trabalhar nesses neurônios.

Eu escolhi o exercício abaixo para trabalhar com meus filhos porque eles não tinham esse ciclo de comunicação, eu perguntava eles respondiam (quando respondia) e só. Ou faziam comentários ou perguntas mas não prestavam atenção na resposta.

BATATA QUENTE.: A brincadeira consiste em passar o objeto um para o outro de forma rápida, nós brincamos que é uma batata quente assim podemos acrescentar diversão ao exercício. Eu usei bolas, mas não deu certo porque elas rolam e até buscar a bola já havia perdido a atenção do meu filho, então eu usei um saquinho de tecido preenchido com arroz.

Você passa o brinquedo (bola, saquinho ou outra coisa macia) para a criança dizendo “quente, quente” e espera que ela devolva, se ela não devolver você pode fazer o auxilio mão sobre mão, uma mão aberta e a outra mão você direciona a mão da criança a te entregar o brinquedo.

Se a criança resistir, você pode sentá-lo de costas para a parede, num canto (isso evitará que ele fuja) e você segura a bola e a mão dela na bola, e faz o ciclo num compasso lento, use bastante expressão facial de contentamento e prazer, no final sempre diga que você gosta de brincar com ela. Aos poucos vá aliviando a pressão nas mãos dela, e vá soltando devagar, segure só as pontas dos dedos e depois só segure a bola, a esta altura ela já vai estar com a mão na bola por si só. Quando você sentir que ela está pronta, comece a jogar a bola um para o outro, primeiro bem de perto e depois vá afastando, esse é um processo de semanas, só passe para a fase seguinte quando você sentir que pode, se caso não der certo, volte à fase anterior e depois de alguns dias, tente avançar de novo.

Faça caras e caretas e passe a idéia que a brincadeira é divertida.

Faça vários ciclos, a quantidade vai depender da tolerância da criança. Com o Pedro eu comecei com 3 ciclos e fui aumentando conforme ele foi entendendo a brincadeira, até 10 ciclos. O Luís já foi possível comecar com vários ciclos e eu nem contava mais, quando eu via que iria perder a atenção dele eu mudava para a segunda fase da brincadeira.

O ritmo da brincadeira deve ser rápido, mas esse “rápido” vai depender de cada criança, por exemplo: o rápido com o Luís é bem rápido, o “rápido” do Pedro já é mais lento porque ele demora a processar o movimento. Por isso, a sensibilidade do adulto é super importante para determinar a velocidade e a quantidade deste exercício.

Segunda fase da brincadeira. VAMOS TROCAR! Quando a criança estiver engajada na brincadeira da “batata quente” você pega um outro objeto e quando a criança estiver com o brinquedo que representa a batata na mão, você diz “vamos trocar” e oferece o segundo objeto e pega o primeiro da mão dela, com o tempo você passa a oferecer e extender sua mão para que ela entregue o primeiro objeto Depois que ela já tiver consistência em trocar de objeto com você, retire a dica da mão aberta e deixe que a criançaa troque expontaneamente, se precisar, volte a dica da mão aberta, mas demore uns segundos para ver se a criança é capaz de trocar sozinha. Você faz o ciclo da troca várias vezes também, sempre por um objeto novo.

A escolha dos objetos é super importante, eles devem ser legais, mas não super legais e muito menos os preferidos da criança para que não seja um martírio para a criança passar ou trocar o objeto.

Depois que se estabeleceu um ciclo de troca, você pode encerrar a brincadeira EMPILHANDO os objetos no colo da criança, para os que gostam, você pode até iniciar uma “guerra de travesseiros e objetos”, por isso só escolha objetos macios. O importante é terminar de forma divertida e com muita gargalhada (mesmo que no início seja só da sua parte).

VARIAÇÕES DO CICLO DE COMINICAÇÃO. 


Bexigas – são ótimas. Se seu filho é vidrado em números ou letras você ainda consegue fazer essa variação mais interessante. Jogue a bexiga para a crianca ou bata na bexiga para que ela simplesmente esteja no ar, conte 1 ou diga A, ajude a criança a bater na bexiga e diga 2 ou B, bata outra vez e diga 3 ou C, ajude a criança na vez dela se preciso e diga 4 ou D, e assim por diante. Retire o seu auxilio o mais rápido possível.

Qualquer brincadeira que segue essa linha de ciclos estimula as conexões cerebrais da comunicação como forma de conversa, segundo as teorias do Floortime e RDI.

Quanto mais neutra a expressão da criança nessa brincadeira, mais ela precisa desse estímulo, por isso não desanime se a crianca parecer não ter interesse nenhum (eu sei o que é isso), insista na brincadeira, ao menos uma vez por dia, vc verá que a criança vai aprender a mostrar satisfação nessa brincadeira e mantenha seu nível de animação respeitando o gosto da criança por barulho e agitação.

Também use o espelho, coloque um espelho na altura dos olhos da criança, num lugar que ela fique bastante. eu coloquei aqueles espelhos de corpo inteiro só que na horizontal e coloquei os brinquedos prediletos na frente do espelho, cada vez que os meninos estavam brincando em frente ao espelho eu ficava ao lado fazendo caretas no espelho, as primeiras vezes eu fui 100% ignorada, mas persistência é o lema 🙂 e aos poucos eu comecei a ser notada e depois imitada e depois virou um jogo de parceria, nós sofisticamos bastante a brincadeira e ela existe até hoje (com mascaras e pintura) mas esse foi o principio de tudo. Eu amo o espelho, tira o pavor do contato visual direto, trabalha a conciência do EU e do OUTRO, além de ser super divertido.

Também pelo RDI nós trabalhamos a linguagem não verbal, uso de gestos junto com as palavras, principalmente os comandos, isso ajuda a fazer a associação linguagem/sentido.

Use livros, leia e aponte para as figuras conforme você vai lendo as palavras, por exemplo, se você está lendo uma história que tem um coelho, quando você falar coelho aponte para a figura do coelho. Escolha livros com frases curtas. Depois de já ter lido várias vezes o mesmo livro para a criança, pause antes de ler a plavra coelho e aponte para a figura e espere, provavelmente ela vai completar a frase, se não você completa e segue lendo, mas na próxima vez pause de novo, um dia vem.

Com as músicas que a criança gosta faça a mesma coisa, tente usar cantigas que tenham rima, por exemplo:
“A barata diz que tem 7 saias de filó, é mentira da barata ela tem e uma só”
Na próxima vez você canta:
“A barata diz que tem 7 saias de filó, é mentira da barata ela tem é uma —–” e ela completa, a rima vai ajudar a lembrá-la.
Quando a criança já estiver completando você retira a primeira rima também da seguinte forma:
“A barata diz q tem 7 saias de —-, é mentira da barata ela tem é uma —-” e ela completa.
Faça isso com várias músicas, logo logo vocês vão estar cantando juntos, isso ajuda na comunicação entre as pessoas de uma forma social e dinâmica.

O MAIS IMPORTANTE, reserve tempo para FAZER NADA com seu filho, reserve nem que sejam 15 minutos diários que vocês vão ficar lado a lado, sem pedir nada para ele, sem fazer nenhum pergunta, sem puxar ele para nada, pode ser na cama, no sofá, em frente a janela, é um momento de conexão silenciosa. desligue a campainha do telefone e desligue a cabeça. Você pode fazer carinho nele, se ele gostar, ou só ficar ao lado, com o tempo vá chegando mais perto e mais perto. Isso vale ouro e ajudará a ele se sentir seguro.

Fonte: http://umavozparaoautismo.blogspot.com.br/2012/11/brincadeiras-para-desenvolver.html