‘Treinar’ pais de criança autista reduz sintomas do transtorno

Pesquisa demonstrou eficácia de método que ensina os pais a estimular o desenvolvimento de bebês com sintomas de autismo

Autismo: Ensinar pais a estimular linguagem, atenção e aprendizado das crianças ajuda a reduzir sintomas

Autismo: Ensinar pais a estimular linguagem, atenção e aprendizado das crianças ajuda a reduzir sintomas (Thinkstock/VEJA)

Em um novo estudo, pesquisadores concluíram que um determinado tratamento, aplicado nos primeiros anos de vida de um bebê com sinais de autismo, pode melhorar seu desenvolvimento e reduzir os sintomas do transtorno durante a infância. A terapia, no entanto, não é direcionada à criança, mas sim aos seus pais, que passam por uma espécie de treinamento para que estimulem a comunicação dos filhos.

CONHEÇA A PESQUISATítulo original: Autism treatment in the first year of life: A pilot study of Infant Start, a parent-implemented intervention for symptomatic infants

Onde foi divulgada: Journal of Autism and Developmental Disorders​

Instituição: Universidade da Califórnia em Davis, Estados Unidos

Resultado: Crianças com autismo cujos pais foram treinados para estimular o desenvolvimento dos filhos apresentaram um melhor desenvolvimento.

O método testado pela pesquisa foi o Infant Start, desenvolvido na Universidade da Califórnia em Davis, Estados Unidos. Nele, pais de bebês com autismo aprendem formas de estimular a comunicação, a atenção, o aprendizado, a linguagem e a interação social dos filhos.

O estudo, publicado nesta terça-feira, contou com a participação de pais de sete crianças de 6 a 15 meses de vida que apresentavam sintomas relacionados ao autismo, como pouco contato visual, repetição de determinados movimentos e baixa disposição para a comunicação. Os pais, junto com os bebês, passaram por doze sessões de treinamento e, depois, foram acompanhados durante seis meses pelos pesquisadores para que continuassem seguindo o método corretamente.

As crianças voltaram a ser avaliadas dois e três anos após o início do estudo. O desenvolvimento delas foi comparado ao de outras com características diversas. Entre elas, crianças com autismo que só receberam tratamento após os três anos de idade e crianças sem o transtorno.

Segundo a pesquisa, seis das sete crianças que participaram do estudo chegaram aos três anos de idade com o desenvolvimento do aprendizado e da linguagem semelhante ao de crianças sem autismo. “A maioria das crianças com autismo nem ao menos recebeu o diagnóstico da doença nessa idade”, diz Sally Rogers, professora de psiquiatria e ciências comportamentais da Universidade da Califórnia em Davis e coordenadora do estudo.

O estudo, portanto, sugere que começar o tratamento de crianças com autismo de forma precoce diminui os problemas de desenvolvimento ao longo da infância. No entanto, como foi feito apenas com sete crianças, as descobertas precisam ser confirmadas por pesquisas maiores. Mesmo assim, a equipe considera que as conclusões foram importantes, pois mostraram uma redução significativa dos sintomas do transtorno nos primeiros anos de vida.

Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/saude/treinar-pais-de-crianca-autista-reduz-sintomas-do-transtorno

 

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Novas abordagens no tratamento de autistas

Por Michele Senra

Nos últimos anos novas técnicas e abordagens têm surgido, como ESDM e PRT, por exemplo, para atender a demanda crescente de pessoas afetadas pelo autismo. Cada indivíduo é único e tem suas necessidades muito particulares. A verdade é que não existe uma fórmula mágica, uma cura, que vá atender a toda esta clientela. Mas conhecer as abordagens em geral, pode nos dá a base para nossas práticas.
Particularmente, pra mim não existe o melhor modelo e melhor método, pois cada profissional pode se identificar com uma, assim como cada indivíduo vai receber os estímulos terapêuticos e pedagógica de uma forma muito individual.
Estudar é preciso, e sempre. Não somos donos da verdade. Costumo dizer, que eu não sou professora dos meus alunos, eles é que me ensinam a cada dia a arte de ensinar. Bem, conheça agora algumas novidades para aprofundar seu conhecimento.

PRT – Pivotal response treatment

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O tratamento do PRT é uma das terapias comportamentais mais estudadas e validadas no momento atual nos EUA. O PRT é derivado do ABA. Seus objetivos principais são o desenvolvimento da comunicação, linguagem, melhorar problemas de comportamento e regulação de comportamentos de auto estimulação perturbadores.
Ao invés de direcionar comportamentos individuais, as metas terapêuticas do PRT envolvem áreas “cruciais” do desenvolvimento de uma criança. Incluindo a motivação, a resposta a vários estímulos, a autogestão e o início das interações sociais. A filosofia é que, visando essas áreas críticas, PRT irá produzir grandes melhorias em outras áreas de sociabilidade, comunicação, comportamento e desenvolvimento de habilidades acadêmicas.
Estratégias de motivação são uma parte importante da abordagem PRT. Enfatizam o reforço “natural”. Por exemplo, se uma criança faz uma tentativa significativa para solicitar, por exemplo, um bicho de pelúcia, a recompensa é o bicho de pelúcia – não um doce ou outra recompensa.

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Embora usado principalmente com crianças em idade pré-escolar e alunos do ensino fundamental, estudos mostram que o PRT também pode ajudar os adolescentes e adultos jovens. Na verdade, as pessoas afetadas pelo autismo de todas as idades podem se beneficiar de suas técnicas. Em todos os grupos etários, o aluno desempenha um papel crucial na determinação das atividades e objetos que serão usados em uma troca PRT.
Qual é a História da PRT?
Resposta ao tratamento Pivotal foi desenvolvido na década de 1970 por psicólogos educacionais Robert Koegel, Ph.D., e Lynn Kern Koegel, Ph.D., da Universidade da Califórnia, Santa Barbara.

ESDM – Early Denver Model

O ESDM é um modelo voltado para o público de crianças com TGD, diagnosticados precocemente entre as idades de 12 a 48 meses. ESDM é uma intervenção baseada no relacionamento, e envolve os pais e famílias . O objetivo da ESDM é aumentar as taxas de desenvolvimento em todos os domínios para as crianças com TGD, pois visa simultaneamente diminuir os sintomas de autismo. Esta intervenção visa melhorar os aspectos emocionais, cognitivos e linguagem.
Este modelo usa a Análise do comportamento aplicada como base, mas uma fusão com uma abordagem desenvolvimentista, adicionando elementos mais lúdicos.
Suas características principais, incluem:
• Estratégias analítica comportamental naturalistas aplicadas;
• Conhecimento do desenvolvimento infantil
• Envolvimento dos pais
• Trocas interpessoais e afeto
• Compromisso compartilhado com atividades conjuntas
• Linguagem e comunicação ensinadas dentro de uma relação positiva com base no afeto.