Musicoterapia na Alemanha

Há alguns meses tive o prazer de participar de um encontro com um médico e musicoterapeuta alemão, Niels Hamel, no Conservatório Brasileiro de Música. É sempre importante conhecermos e nos atualizarmos de como é a relação da musicoterapia em outras partes do mundo.

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Hamel, dirige um centro de atendimento à pessoas com autismo. Acesse o site para conhecer: http://www.autismus-owl.de/index.php/fortbildung

Quatro coisas me chamaram a atenção no relato de sua experiência no centro de atendimento Autismus, em vermelho minhas observações:

  • Na Alemanha o tratamento e benefícios são pagos pelo governo por toda a vida. Os terapeutas são pagos pelo governo. Ou seja, meu filho tem autismo, ele é encaminhado para um centro de atendimento, que é uma clinica particular, e o governo paga o tratamento no valor integral do terapeuta.

Isso me dá tristeza como mãe. Estamos distantes de termos bons atendimentos para nossos filhos. Como terapeuta, dá tristeza da não valorização profissional.

  • O neuropediatra e o psiquiatra não definem quais são as terapias que a criança devem fazer, isso fica a cargo dos centros de terapia. Eles fazem uma avaliação, e com base nesta redirecionam a terapia adequada. Exemplo: quando a criança recebe o diagnóstico precoce, ou ainda não se fechou o diagnóstico, o primeiro profissional que atende essa criança é o: MUSICOTERAPEUTA. Surpresa? Também fiquei porque aqui a musicoterapia é vista como terapia alternativa. Mas preste a atenção na justificativa. Essa criança é encaminhada para a musicoterapia para o treino da escuta (o processo é treinar o ouvido primeiro), porque só assim ela estará apta para ser trabalhada na fonoaudiologia.

Queridas amigas fonos, não me batam. Esse é um procedimento padrão do país deles. Mas, isso me faz sentir que a musicoterapia ainda não ocupa o espaço que merece. Não querendo desvalorizar o profissional de fonoaudiologia, mas a musicoterapia é vista como alternativa, e tem crianças com autismo que respondem muito bem a musicoterapia ampliando os canais de comunicação. Acho que a fonoaudiologia e a musicoterapia podem trabalhar juntas para obter um melhor resultado. Aliás, não só a fono, mas toda uma equipe multidisciplinar em prol da melhoria da crianças, do adolescente e adulto com autismo.

  • As famílias estão presas a estruturas, e o trabalho deles é de tentar quebrar esses paradigmas. Não possuem uma linha específica. Redirecionam a criança para determinada abordagem conforme sua necessidade individual.
  • autistas não verbais tem um desempenho melhor na musicoterapia (ajuda nas emoções).

Na guerra de qual abordagem é a melhor, esquecemos que lidamos com indivíduos com necessidades particulares, e cada sujeito pode responder melhor a determinada abordagem. Assim como, cada terapeuta se adapta melhor a linha que escolheu. Pensar na criança e de como o processo daquela abordagem irá beneficiá-lo.

Tiveram outras informações importantes, mas não me lembro de todas.

Mas, para quem não sabe o que é musicoterapia, segue abaixo algumas definições:

        Musicoterapia é a utilização da música e/ou seus elementos (som, ritmo, melodia e harmonia) por um musicoterapeuta qualificado, com um cliente ou grupo, num processo para facilitar e promover a comunicação, relação, aprendizagem, mobilização, expressão, organização e outros objetivos terapêuticos relevantes, no sentido de alcançar necessidades físicas, emocionais, mentais, sociais e cognitivas. A Musicoterapia objetiva desenvolver potenciais e/ou restabelecer funções do indivíduo para que ele/ela possa alcançar uma melhor integração intra e/ou interpessoal e, consequentemente, uma melhor qualidade de vida, pela prevenção, reabilitação ou tratamento.

                                                         Comissão de Prática Clínica.

                                                Federação Mundial de Musicoterapia Inc.

                                                                                        Hamburgo – 1996.

Revista Brasileira de Musicoterapia. União Brasileira de Associações de Musicoterapia. Ano I – Número 2 – 1996.

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Musicoterapia é o uso profissional da música e seus elementos, como uma intervenção em ambientes médicos, educacionais, e do dia a dia, com indivíduos, grupos, famílias, ou comunidades que procuram otimizar a qualidade de vida e melhorar a saúde física, social, comunicativa, emocional, intelectual, e espiritual. A pesquisa, a prática, a educação, e a prática clínica em musicoterapia são baseadas nos  princípios  profissionais de acordo com os contextos cultural, social, e político. Fonte: WFMT, 2011  (trad. Barcellos, L. R. M.)

Sobre o curso – imagens de dois dias especiais

OBS: próxima oficina 28/11/2015

No último final de semana, realizei um curso sobre musicalização para autistas, para profissionais e estudantes que trabalham com a música com crianças autistas.

Foram dois dias muito intensos. Falei sobre minhas experiências e sobre o modelo que utilizo como ferramenta do meu trabalho.

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Brincadeiras com o parachute “musical”.

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Brincadeiras com o túnel de lycra

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O Polvo de lycra.

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Entre outras igualmente divertidas e que tem por objetivo criar recursos terapêuticos para abertura dos canais de comunicação, engajamento, interação, acomodação sensorial com os elementos sensoriais, etc.

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Para complementar nossa prática, tivemos uma oficina com o musicoterapeuta Di Lutgardes sobre percussão.

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Meu filho na inclusão escolar

Outra matéria com meu filho no Jornal da Band Rio em 01/09/2015

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Só quem é mãe de uma criança com necessidades especiais para entender o quanto é difícil matricular seu filho na escola regular. Além disso, algumas escolas cobram uma taxa a mais o que onera nossos bolsos.

Em parte entendo a posição da escola, pois as leis são criadas para obrigar as escolas particulares a fazer a matrícula do aluno especial, porém não oferece nenhum aparato a essas escolas, o que torna desinteressante a matrícula de aluno “mais custoso que os outros”. Infelizmente, é uma dura realidade. Incluir dá trabalho. Tem o mediador, a capacitação do professor e do mediador, a adaptação curricular.

Enquanto isso, nossos filhos, sofrem com essa desorganização e falta de interesse. Então, me pergunto: pra quê criar leis que obriguem as escolas a matricular alunos especiais, e não dá suporte as mesmas. Veja bem, não estou defendendo as escolas, se pago por um serviço ele tem que ser prestado, estou criticando a forma como essas leis são elaboradas. Pois somos nós pais que sofremos com tudo isso.

Abaixo segue uma matéria sobre o tema, e meu filho e eu fomos entrevistados sobre inclusão, no jornal da Band em 28/08/2014.

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http://mais.uol.com.br/view/15590663