Música é um processo multissensorial

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A música é um processo multissensorial. Desde que iniciei minha práxis com a música e autismo, compreendi a importância da “Musicoterapia Sensorial” no estímulo de pessoas com autismo. Inicialmente, um colega de profissão achou que eu estava louca. Disse que a visão dele era da saúde mental e que meus questionamentos não condiziam com a realidade. Ser mãe de um rapazinho com autismo me fez enxergar fora da caixinha. Será que eu estava surtando? O colega disse para eu ir na biblioteca do CBM que tinham muitos livros sobre musicoterapia. O que o colega não sabe é que o fabuloso Kenneth Bruscia já falava há tempos sobre a música sensorial:

“Os aspectos multissensoriais da música a tornam ideal para o uso terapêutico, especialmente se considerarmos as muitas incapacidades envolvidas nas deficiências sensoriais e motoras. Os musicoterapeuta estão continuamente atentos às modalidades sensoriais que necessitam receber maior input ou output, e às formas com que a música pode fornecer meios de estímulo ou resposta para consegui-lo. Habitualmente, as experiências ou atividades musicais são úteis para estimular e exercitar todos os sentidos, no entanto, com certos clientes, os aspectos auditivos da música devem ser enfatizados e, com outros, os canais motores, táteis ou visuais é que devem ser estimulados. (BRUSCIA, 1998, p. 109)”

Eu não escolhi o autismo. O autismo me escolheu, porque se não fosse por meu filho a música pra mim continuaria como performance/estética puramente. A musicoterapia é faz parte de um processo de inserção neste mundo singular.

Certa vez, escutei de um outro colega “tem gente que já estabeleceu um público-alvo e se limitou a esse, e não se permite experimentar outra coisa”. Em minha defesa respondi que de fato, orgulhosamente tenho meu publico definido por questões estritamente pessoais que foram para o campo profissional. Porque se aprofundar um tema especifico incomoda algumas pessoas? Porque se especializar em uma área é errado?

Bem, mudando o foco de mim para a musicoterapia e autismo, as informações sobre um Transtorno de espectro tão amplo sempre gerará diversas discussões.

Barcellos (2004) reflete a respeito de pesquisas e práticas clínicas com base em experiências empíricas:

 

Quando uma teoria não vem de uma experiência vivida, pode transforma-se em um mero exercício intelectual. Assim, é a experiência que temos tanto com a música como com a musicoterapia que se transformará na essência e no coração da musicoterapia. (BARCELLOS, 2004, p. 46)

 

Então, a minha sugestão para quem quer trabalhar ou pesquisar sobre autismo, vivenciem a experiência. Os olhinhos precisam brilhar! Autismo não é moda, é um caso sério que merece respeito.

Uma mãe me relatou uma desagradável experiência com a  mediadora escolar de  sua filha. Após um momento de desregulação da criança, que bateu na mediadora, a mesma em prantos disse que nunca havia passado por aquilo. Que outras crianças com autismo não eram agressivas. Oi? De onde saiu esta criatura? Mas a culpa não é totalmente dela. A mídia romantiza o autismo. Diversos profissionais da impressa me procuraram pedindo para indicar autistas bem sucedidos. Jesus! Eles não são a maioria! Genialidade é rara na humanidade! Quer viver esta experiência? Entenda que ela pode ser:

  • Frustrante, no sentido da criança não responder aos estímulos.
  • um dia você pode apanhar e isso não significa que ele não goste de você, mas que ele não está bem e não consegue controlar o que sente naquele momento.

Mas sabe o que é realmente empolgante?

  • quando seu trabalho de meses começa a dar resultados, mesmo que lentamente.
  • quando a criança cria uma conexão com você e, quer estar com você,  e brincar com você.
  • Contribuir para seu desenvolvimento cognitivo, linguagem, interação….

 

 

 

Posted on Agosto 20, 2016, in Dicas para profissionais, Integração sensorial and tagged , , . Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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