Curso em Agosto!

Olá pessoal, atendendo a pedidos, no dia 19 de agosto de 2017, realizarei um curso sobre Música para desenvolver linguagem, cognitivo e relacionamentos afetivos.

O Curso tem como público-alvo: professores, educadores musicais, musicoterapeutas, pais e outras áreas de interesse.

Sobre o curso:

A proposta do curso é oferecer um suporte teórico e prático aos participantes, seguindo a filosofia do modelo DIR/Floortime para aplicação em atividades musicais. O objetivo é potencializar as capacidades intelectuais, linguagem e de relacionamentos de crianças que estão com atraso no desenvolvimento (TEA, Down, entre outros).

Palestrante:

Mt. Michele Senra – Musicoterapeuta e especialista em Educação Musical, Mestranda em Música pela UFRJ. Terapeuta DIR/Floortime. Idealizadora dos projetos Concerto azul e Musicautista.

Investimento:

R$ 200,00

TURMAS LIMITADAS! SOMENTE 10 VAGAS!

Incrições:

pelo whatsapp (21) 98635-8116

Local: Av. Meriti, 2487 sala 202 – Largo do Bicão (Vila da Penha) RJ/RJ

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As emoções influenciam o desenvolvimento cognitivo

Muito se fala da importância do brincar no desenvolvimento infantil. Para que  uma pessoa tenha a capacidade de fazer simbolismos, abstrações, é necessário que a mesma vivencie experiencias para criar. Pensando assim, se uma criança não consegue se relacionar com o meio por observação, experimentação, dificilmente terá a capacidade de desenvolver um pensamento criativo. Crianças em geral, brincam sobre coisas que percebem no dia a dia, por exemplo, brincar de casinha, construir cidades com objetos, etc. Infelizmente, estamos perdendo nossa capacidade de brincar por objetos tecnológicos.

Segundo Greenspan e Benderly (1999), as emoções exercem um papel importante no desenvolvimento cognitivo:

Essas crianças, que sofrem alguns dos problemas mais sérios de pensamento e linguagem que possamos imaginar, de base biológica, podem nos ensinar muito pela observação de como aprendem a pensar, se relacionar e comunicar. As crianças com as quais meus colegas e eu trabalhamos apresentam sérios déficits relacionados a problemas claramente neurológicos, tais como uma fraca capacidade de processar os sons, compreender palavras e executar movimentos sequenciais. (…) vagueiam sem rumo; agitam os braços compulsivamente; esfregam um determinado ponto no tapete de forma intermitente, pequenos objetos em fileiras rigorosamente retas – , nas quais não apresentam capacidade de respostas às tentativas mais básicas de comunicação. (GREENSPAN, BENDERLY, 1999, p. 31)

Os autores enfatizam que programas alguns programas terapêuticos podem inibir a capacidade criativa de uma criança com autismo reforçando um pensamento mecânico e estereotipado, quando poderíamos explorar todo o potencial para o raciocínio criativo e abstrato. “(…) No curso normal de eventos, cada sensação, à medida que é registrada pela criança, também dá margem a um afeto ou emoção” (GREENSPAN, BENDERLY, 1999, p. 37). Isso quer dizer, segundo os autores que uma brincadeira pode ser muito interessante para a criança ou ser desagradável, porque essas experiências vivenciadas determinam as impressões sensoriais que estão atreladas aos sentimentos. Por exemplo: se uma criança apresenta uma diferença inata na formação sensorial auditivo, podem comparar o tom de uma voz alta (frequência e altura) como se fosse o soar de uma sirene, porque só conseguem perceber a altura mais aguda daquela narrativa.

No que se refere a musicoterapia, usar técnicas de improvisação aumenta a possibilidade de extrair a capacidade criativa da criança. Mas, o que eu realmente quero falar nessa postagem é sobre como criar experiencias através do brincar com a música que ajude a modular um comportamento influenciado por incapacidades sensoriais e motoras.

Algumas crianças com autismo, não dão conta da enxurrada de informações sensoriais ao seu redor e oscilam em uma brincadeira entre o prazer, raiva ou medo, por exemplo.  Tenho crianças que podem estar muito envolvidas em um jogo musical ou em uma brincadeira e ao menor movimento, um pouco mais brusco, altera o humor da criança imediatamente de alegria para pânico ou raiva.

Seguindo os preceitos do DIR/Floortime, um dos meus atendidos se enrolou no tapete para se esconder. Seguindo sua liderança, decidi que poderíamos tornar uma brincadeira tão antiga e simples em algo mais divertido com a introdução da música. Nesse jogo foi possível ajudarmos nosso anjinho a controlar sua ansiedade e seu corpo no espaço, saber esperar (e isso para uma criança com autismo é muiiiitooooo difícil). E a nossa tendencia é reforçar porque sempre nos antecipamos a criança e entregamos “tudo de bandeja”. Precisamos criar um expectativa, e deixar a criança responder ao estímulo a seu tempo. Brincadeiras de esconder desenvolvem a capacidade da criança do pensamento, de construir imagens mentais dos objetos e das pessoas.

 

“descobrimos que a unidade básica da inteligência reside na conexão entre um sentimento, ou desejo, e uma ação, ou um símbolo. Quando um gesto ou  uma fração de linguagem relaciona-se, de alguma forma, com desejos da criança – mesmo que seja algo tão simples quanto a vontade de sair ou ganhar uma bola – , ela pode aprender a usar esse gesto ou essa linguagem de forma adequada e eficaz. Até fazer a conexão, no entanto, seu comportamento e sua comunicação permanecem em desiquilíbrio; de fato, a dificuldade em estabelecer tais conexões constitui um elemento básico do distúrbio.” (GREENSPAN, BENDERLY, 1999, p. 35).

Sendo assim, entendo que, quando uma criança apresenta um interesse incomum e persistente, devemos nos conectar a partir deste interesse e transformar essa brincadeira em algo compartilhado e prazeroso. Com afeto envolvido a expansão da capacidade cognitiva será ampliada.

Mt. Michele Senra

Referência:

GREENSPAN, Stanley I; BENDERLY, Berryl Lieff. A evolução da mente: as origens da inteligencia e as novas ameaças a seu desenvolvimento. Tradução: MONTE, Mônica Magnani. Rio de Janeiro: Record, 1999.

Debate sobre autismo

No dia 15 de Maio fui convidada para um debate sobre autismo na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Esses debates são muito importantes para mobilizar mais ações dos políticos à favor da pessoa com deficiência.

A composição da mesa:

Presidência: Exma. Sra. Vereadora Tânia Bastos

Sr. Subsecretário da Subsecretaria da pessoa com deficiente: Geraldo Marcos Nogueira Pinto

Neuropediatra: Dr. joão Gabriel da Rocha silva

Musicoterapeuta: Michele Senra (euzinha)

Neuropsicopedagoga: Rosangela da Silva Paris

Instituto Helena Antipoff: Cristiane Botelho de Lima

Centro de Atenção Psicosssocial Infanto Juvenil: Laura de Carvalho Moraes Sarmento.

Foram homenageados com a comanda municipal em reconhecimento pelo trabalho desenvolvido com pessoas com autismo, os sambistas Ito Melodia e Gugu das Candongas, e eu também. Fiquei muito feliz e honrada com a homenagem.